Conheça os ‘Zuckerbergs’ latino-americanos; brasileiro criou plataforma para políticas públicas






Mas, além de amar a tecnologia, eles têm mais uma coisa em comum com Mark Zuckerberg: esses empreendedores estão a frente de projetos que buscam ter impacto.

E, como o criador do Facebook, ganharam o prêmio "Inovadores de menos de 35 anos" dado pela publicação MIT Technology Review, da universidade Massachusetts Institute of Technology, a "jovens líderes da vanguarda tecnológica que estão mudando o mundo."



Conheça-os no mapa:

Guilherme Lichand

Brasil


'Não sou Mark Zuckerberg... mas criei uma plataforma que visa a alterar o processo de criação de políticas públicas para permitir que o governo reaja (eficientemente) à sociedade e faça com que a democracia funcione melhor para todos.'

Com dois sócios, ele fundou em 2012 o Mgov Brasil, uma consultoria que coleta informações de interesse social por meio de SMS e ligações de celular e fornece os dados a entidades públicas.

'O MGov é um intermediário: compilamos informações, por exemplo, sobre se os cidadãos consideram que uma unidade de saúde está funcionando como deveria, ou se o programa de distribuição de leite está dentro dos padrões de qualidade. Também compartilhamos previsões de chuvas com agricultores pobres em regiões remotas do país.'

Geraldine Gueron

Argentina



“Não sou Mark Zuckerberg... mas estou construindo uma Wikipédia da saúde.'
Datadonors é uma plataforma que permite integrar informações de saúde, estilo de vida e genética dos usuários. Os dados vêm de diferentes dispositivos ou aplicativos e podem ser consultados a qualquer hora, para que a pessoa analise as suas variáveis ou faça comparações com outros usuários.

'Temos nossa página e um aplicativo. A única coisa que as pessoas precisam fazer é doar as suas informações (de forma anônima) e vincular todos os seus apps de saúde à nossa plataforma.'

Daniela Galindo

Colômbia


“Não sou Mark Zuckerberg... mas estou provocando um grande impacto social sobre uma população que hoje em dia está muito esquecida, especialmente na América Latina. Estou dando voz a muitas pessoas que precisam se comunicar para que realmente possam pertencer à nossa sociedade.'

'Hablando con Julis' é um software projetado para pessoas com idades entre 3 a 85 anos com dificuldades de fala, Síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral, déficit cognitivo e surdez.

A ferramenta usa imagens para que as pessoas possam se comunicar. 'Cada imagem vem acompanhada da palavra escrita, de uma voz que a pronuncia e de um vídeo com a linguagem de sinais.' São 125 mil registros multimídia (imagens, vídeos, áudios e palavras).

Tatiana Birgisson

EUA., Islândia e Venezuela


“Não sou Mark Zuckerberg... mas criei o Mati, uma bebida energética que é única no mercado (...) e ganhei o concurso do Google Demo Day. Não vai haver outro com ele, mas espero ter um impacto tão grande na indústria de alimentos como o que ele teve na tecnológica.'

A bebida pode ser comprada no sul dos EUA.

'Os ingredientes que usamos são saudáveis: chá e sucos (...). Nosso processo é inovador porque conseguimos extrair 40% mais cafeína das folhas de chá em comparação com os procedimentos tradicionais. A cafeína dura aproximadamente oito horas no corpo. É uma injeção de energia parecida com a que produzem outros energéticos, mas dura muito mais tempo.'

Martha Malapi

Peru


'Não sou Mark Zuckerberg... mas a minha pesquisa vai oferecer as ferramentas necessárias para melhorar o controle de patógenos de plantas e assim diminuir a desnutrição no mundo.'

Com cientistas dos EUA, ajudou a desenvolver um sistema inovador de detecção de patógenos agrícolas em tempo real e a estudar técnicas moleculares para identificar os genes de um patógeno de fungo que o fazem particularmente eficiente para provocar doenças em plantas de todo o mundo.

'O patógeno Fusarium verticillioides não apenas causa o apodrecimento da espiga como induz o aparecimento de uma toxina que não se vê a olho nu, mas que, se ingerida em grandes quantidades, pode provocar câncer.'

Antonio Navas

Guatemala


'Não sou Mark Zuckerberg... mas o meu trabalho está ajudando a melhorar a vida de mais de 100 milhões de pessoas por meio da aprendizagem de idiomas.'
Desenvolveu a primeira versão da plataforma gratuita de aprendizado de línguas Duolingo e é diretor de engenharia da empresa.

O sistema compara e analisa constantemente os dados sobre o progresso dos usuários e usa a fórmula que está dando mais certo para os outros estudantes. A plataforma também conta com a Incubadora de Idiomas, uma ferramenta que, com ajuda de voluntários, oferece cursos de mais de 50 línguas.

José Tomás Arenas

Chile



“Não sou Mark Zuckerberg... mas desenvolvi uma solução tecnológica para prevenir em todo o mundo a causa mais comum de cegueira na população adulta.'

Criou um software que combina processamento automático de imagens e telemedicina na internet para prevenir a retinopatia diabética, a cegueira causada pela diabetes.
A plataforma tem diversas imagens de olhos registradas por câmeras especializadas em centros de saúde. O sistema detecta, de forma automática, padrões distintos de desenvolvimento da doença.

Alejandro Cantú

México



“Não sou Mark Zuckerberg... mas levei a tecnologia ao ponto em que pode salvar vidas, alertando com 60 segundos ou mais de antecedência os 3 milhões de usuários da plataforma sobre a ocorrência de terremotos.''
SkyAlert é um sistema de alerta sísmico por satélite que emite um alerta cerca de um minuto antes de um terremoto atingir a Cidade do México e os 40 povoados cobertos pelo sistema.

O aplicativo pode ser baixado em dispositivos móveis. 'Após baixar o app, é só assinar o serviço, que custa US$ 4 por ano (cerca de R$ 14), e personalizar o alerta sísmico. Isso faz desta ferramenta algo único no mundo: os usuários podem escolher com quanto tempo de antecedência e a intensidade dos tremores sobre os quais querem ser notificados. Por exemplo: 'Só quero receber alertas de tremores acima de 5 (de magnitude)'.

Yenny Carias

Honduras



“Não sou Mark Zuckerberg... mas criei um projeto que está fazendo barulho entre aqueles que não podem escutar.'

Desenvolveu um software que traduz a voz para a linguagem de sinais de Honduras (LESHO) para facilitar o aprendizado de estudantes surdos.
'Em um computador, é possível ver um avatar em 3D fazendo os sinais. O avatar reconhece a voz que ingressa no sistema por meio de um microfone; o sistema captura a voz e traduz para texto, e algoritmos que desenhamos transformam esse texto nos sinais que o avatar faz.'

Yondainer Gutiérrez

Cuba


“Não sou Mark Zuckerberg... mas com o meu trabalho, até o momento, facilitei o acesso à informação de saúde para estudantes, professores e profissionais de medicina cubanos.'

Fez o projeto gráfico da página de internet da rede de saúde de Cuba, Infomed, ponto de referência para médicos e cientistas na ilha e local de consulta para pesquisadores de vários países.

'Infomed é o nome que identifica a rede de pessoas e instituições que trabalham e colaboram para facilitar o acesso à informação e ao conhecimento necessários para melhorar a saúde dos cubanos e dos povos do mundo', destaca a página.
Alejandro Cantú, México

Sobre o projeto:

Cantú cresceu na capital mexicana, Cidade do México, traumatizada pelo terremoto de 8,1 graus de magnitude que deixou 10 mil mortos em 1985. Com amplo conhecimento de sistemas de alerta por satélite, decidiu desenvolver uma tecnologia que permite respostas mais eficientes às ameaças sísmicas com o objetivo de salvar vidas.

"No México, o governo dependia do mesmo sistema de alerta sísmico desde 1990. O que nós fizemos foi modernizá-lo, ao implementar a nossa própria rede de detecção sísmica, que conta com mais de 60 estações detectoras de tremores em mais de 500 quilômetros de costa. Neste momento, o governo está avaliando fazer a troca do sistema de alerta sísmico atual para esta nova tecnologia", disse ele à BBC Mundo.

Um dos objetivos de Cantú é "usar tecnologias ao alcance da sociedade para que seus membros possam ficar a salvo de catátrofes iminentes".
Impacto:

O app SkyAlert foi baixado mais de 3 milhões de vezes.

Reconhecimentos:

Um jurado do prêmio do MIT Technology Review em 2014 destacou que o impacto potencial da tecnologia de Cantú "é muito relevante dado o caráter sísmico e vulcânico de amplas zonas da geografia mexicana", e a incorporação das redes sociais ao app "pode possibilitar um crowdsourcing em reações a emergências."

Um conselho: 

"Quando uma pessoa empreende, ela se depara com muitos desafios – mais do que se imagina. A pessoa tropeça e cai, mas tem que seguir levantando e tocando os projetos. Na América Latina, é importante levar em conta as necessidades da nossa área. As novas startups devem pensar em como ajudar os nossos países."

Antonio Navas, Guatemala

En 2013, segundo o MIT Technology Review, tanto a Apple como o Google reconheceram oa app Duolingo como o melhor do ano para smartphones
Sobre o projeto:

Duolingo, uma plataforma para ensinar idiomas online, foi fundada por Navas e os engenheiros Luis von Ahn e Severin Hacker da universidade Carnegie Mellon, dos Estados Unidos.

"Sempre gostei de correr riscos e usar tecnologia para melhorar o mundo. Este era o meu sonho e, ao desenvolver o Duolingo, estou o transformando em realidade, porque é muito bonito ver como há pessoas que mudaram as suas vidas ao aprender outros idiomas de forma gratuita", disse ele à BBC Mundo.

Impacto: 

Mais de 100 milhões de usuários registrados em todo o mundo.

Reconhecimento:

Um jurado do prêmio de 2014 destacou que o projeto de Navas "contém várias mudanças de paradigmas e foi concebido para impactar de forma global e profunda". Com a Incubadora de Idiomas, outro projeto da empresa, destacou-se "a possibilidade de o Duolingo não ter limites dos idiomas que trata".

Um conselho:

"O mais importante é lutar por seus sonhos. Qualquer um pode ter uma ideia ou ter intenção de fazer algo, mas se você não trabalha duro todos os dias por isso, não vai conseguir. Aproveite as oportunidades que aparecem, e quando tiver uma, lhe dedique toda a sua atenção e todo o seu coração."

Daniela Galindo, Colômbia

Sobre o projeto:

"Hablando com Julis" é um sofware desenhado para pessoas com dificuldade de fala, síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral, déficit cognitivo e surdez.
"O projeto surgiu por uma necessidade pessoal. Minha irmã Julis nasceu com uma deficiência que não permitia que falasse. Por muitos anos, na minha família, vivíamos com essa frustração de não entender o que ela queria nos dizer. Foi muito duro crescer a seu lado, mas não conhecê-la bem. Julis era muito dependente, precisava que sempre houvesse alguém com ela, e isso não é bom para ninguém. Por causa desta situação difícil, decidimos criar uma solução para que Julis pudesse ir a qualquer lugar e fosse

O software que Galindo desenvolveu conta com um modelo pedagógico para capacitar familiares e instituições. Nesta imagem ela aprece com sua irmã
Impacto: 

Mais de 4,7 mil pessoas na América Latina estão usando a ferramenta.

Reconhecimento:

Um jurado do prêmio do MIT ressaltou que o software "tem um potencial de mercado interessante" e que, ainda que existam outras tecnologias dirigidas a ajudar pessoas com autismo ou com síndrome de Down a se comunicar, "nenhuma oferece uma solução tão universal e ao mesmo tempo personalizada".

Um conselho:

"Não existe nada mais satisfatório que trabalhar por seus próprios sonhos. Se você tem uma ideia e quer torná-la realidade, o mais importante é ter paixão e dedicação. Esteja cercado por uma boa equipe e comece a transformar a ideia em realidade. Não é preciso ter 100% da ferramenta entrar no mercado, mas é preciso conhecer ao máximo o público a que ela se destina para, desde o início, satisfazer a necessidade de seus clientes."

Geraldine Gueron, Argentina

Sobre o projeto:

Datadonors é uma plataforma que permite integrar informação de saúde e genética dos usuários.

Gueron e sua equipe se deram conta de que existem muitos esforços individuais e privados para recolher dados de saúde, mas não há qualquer lugar que os integre e os torne acessíveis para todos. O seu objetivo é "democratizar a informação de saúde", explicou.

"Se um laboratório quer acesso a dados para desenvolver um novo medicamento, bem-vindo. Se uma pessoa no fim do mundo tem uma ideia brilhante mas não tem recursos para ter acesso aos dados, bem-vindo", diz Gueron

Reconhecimento: 

Um jurado do prêmio do MIT descreveu como "muito emocionante" que alguém com destaque no campo da pesquisa participe como "fundadora técnica" de um projeto "com base na América Latina e com uma equipe interdisciplinar por trás dela". Se o projeto for desenvolvido em sua plenitude, terá um "enorme impacto".

Um conselho:

"Uma boa ideia, paixão e vontade. Quando arrancamos com o projeto as pessoas nos perguntavam por que gastar tanto tempo e esforço em algo tão difícil. Sempre há quem pense assim, mas se a pessoa tiver paixão, se quiser responder a uma pergunta e puder tentar, vale a pena fazer isso."

Guilherme Lichand, Brasil

Sobre o projeto:

Mgov Brasil é uma consultoria que coleta informações de interesse social através de SMS e ligações de celular, e então fornece os dados a entidades públicas e à população.

"Depois de trabalhar no Banco Mundial e antes de começar meu PhD em Economia Política e Governo na universidade de Harvard, tive a oportunidade de colaborar com muitos funcionários públicos brasileiros em diferentes Estados", disse.

"O denominador comum era o conflito para identificar e responder, a tempo e com eficiência, as demandas dos cidadãos. Isso me impressionou, porque parecia incrivelmente distante do que fazemos no dia a dia; o tempo todo estamos escolhendo o que queremos, mas quando de trata de democracia, só temos uma opção binária a cada quatro anos. Com a alta penetração dos telefones celulares, inclusive nas regiões mais remotas e rurais, pensei que a solução já estava nas mãos. Procurei parceiros perfeitos e levei a ideia além, para solucionar problemas reais que os Estados enfrentavam."
 
Lichand apoiou um projeto social em Boston e trabalhou com a Fundação Bill & Melinda Gates no Brasil

"Se os celulares estão em todas as partes, internet e apps de smartphones não estão. Em países em desenvolvimento como o Brasil, mais de 90% dos lugares têm celulares, mas menos de 50% são smartphones e 76% são pré-pagos. Por isso, usamos SMS e chamadas de voz automáticas, porque isso funciona para todos os telefones e (nos permite criar) um canal de comunicação de duas vias entre governo e cidadãos."

Impacto: 

"Até agora, as nossas soluções ajudaram a redesenhar políticas e iniciativas de impacto social que afetaram mais de 3 milhões de cidadãos em todos os Estados brasileiros. Completamos nove projetos e temos três em andamento sobre política social, educação, saúde, transporte e participação civil."

Reconhecimento: 

Um jurado dos prêmios do MIT disse que Lichand está oferecendo "uma resposta eficaz aos problemas reais do governo" com o uso de uma tecnologia "popular e de massa" como o celular. "A informação que oferece tem impacto real para aqueles que necessitam."

Um conselho:

"Não há nada mais importante que começar com um profundo conhecimento do problema que você quer solucionar. Atualmente há uma abundância de soluções 'cool' que não fornecem soluções concretas para problema algum. Se você quer ajudar os mais necessitados, pelo menos na próxima década, dependerá de ferramentas offline. Parece que quase todo mundo pensa que é possível salvar o mundo criando um app. Seria incrível se pudéssemos redirigir ao menos parte deste imenso potencial para pensar em usos criativos de ferramentos que já existem e que estão ao alcance, especialmente dos pobres.

José Tomás Arenas, Chile

Arenas estudou Engenharia Industrial e Engenharia Elétrica na Universidade do Chile

Sobre o projeto:

É um software que combina processamento automático de imagens e telemedicina na internet para prevenir a retinopatía diabética, cegueira causada pela diabetes.

"Foi um trabalho de equipe e, em particular, de uma inquietação do oftalmologista Rodrigo Donoso, que depois de trabalhar no sistema de saúde pública chileno se deu conta de problemas graves como a retinopatia diabética. Quando nos reunimos, ele chegou com uma dúvida: 'A tecnologia pode ajudar a processar imagens digitais da retina?'. Começamos a trabalhar e percebemos o impacto que esse aplicativo poderia ter, porque a população diabética do mundo está aumentando. No Chile, está chegando a 10% da população", explicou.

Impacto: 

"Os diabéticos devem ter a retina examinada ao menos uma vez por ano, pois entre 20% e 30% deles têm a doença. Mas em todo o mundo há escassez de oftalmologistas. Por isso, se um sistema como este for implementado, os médicos podem agilizar e fazer diagnósticos mais eficientes para descartar os pacientes saudáveis e se concentrar nos que mostram sinais da doença."

Reconhecimento:

Um jurado do prêmio do MIT descreveu Arenas como um "jovem no caminho correto para o desenvolvimento de melhorias na qualidade de vida do povo chileno", dada a sua brilhante trajetória acadêmica e "a sua maneira inovadora de encarar o diagnóstico de um mal tão devastador como a cegueira provocada pela diabetes".

Um conselho: 

"Seu projeto deve ser a resposta a uma necessidade da sociedade. Geralmente vemos muitos aplicativos que são tecnologia pela própria tecnologia e não têm a intenção de ter um impacto social. A chave é o trabalho e o desenvolvimento técnico."

Martha Malapi-Wight, Peru
 
“A tecnologia que desenvolvemos -especialmente o sistema de identificação de patógenos- está disponível para que outro grupo de cientistas possa levá-la a campo e produzi-la em larga escala”, disse Malapi.

Sobre o projeto:

A pesquisa de Malapi-Wight ajudou a desenvolver um sistema inovador de detecção de patógenos agrícolas.

"Tudo começou quando estava fazendo o meu bacharelado em agronomia no Peru. Nas práticas em campo, comecei a me dar conta do dano econômico que os patógenos causam nas plantas. Ali, começou meu interesse pelo seu aspecto biológico. Mas foi só quando fiz um estágio no Centro Internacional da Batata que desenvolvi este amor pela patologia das plantas. Tendo em conta que no Peru ainda há muita desnutrição e pobreza, me perguntava como podia ajudar para que as pessoas tivessem uma qualidade alimentar melhor", disse.

Reconhecimento:

Um jurado do prêmio do MIT do Peru de 2013 a descreveu como "audaz", em processo constante de superação e com um projeto de pesquisa "inovador e com grande potencial de impacto e contribuição à sociedade".

Um conselho: 

"Acreditar em você mesmo. Quando estava no Peru, dizia que queria ser cientista, e as pessoas me viam como um animal raro. Mas eu sabia o que queria ser. É preciso trabalhar muito duro, sair do laboratório ou do escritório e fazer muito networking – não apenas com pessoas ligadas à área, mas em outros campos, porque elas vão te ajudar a enxergar o seu projeto por outra perspectiva. Isso te permitirá ver os possíveis defeitos. Nunca se sabe qual das pessoas que você conheceu que vai te ajudar a dar o salto."

Tatiana Birgisson, EUA, Islândia e Venezuela

Sobre o projeto:

Criou a bebida energética Mati.

"Foi a partir da minha necessidade como estudante da Universidade de Duke (EUA) de beber cafeína. No dia em que me dei conta de que estava tomando quatro xícaras por dia, decidi fazer uma folha inteira de chá e refrigerá-la para tê-la pronta. Quando meus amigos iam ao meu quarto para estudar também começaram a tomar chá e me perguntaram se podiam comprar. Aí me dei conta que tinha uma oportunidade de negócio e me inscrevi para uma bolsa universitária para montar o negócio", contou à BBC Mundo.

Impacto:

Desde 2013, foram produzidas mais de 300 mil unidades.

Reconhecimento:
Birgisson ganhou o concurso Google Demo Day 2015, um evento anual que a gigante da internet do Silicon Valley organiza para que jovens empreendedores apresentem suas startups tecnológicas a investidores e líderes do setor.
 
Birgisson, de 25 anos, nasceu em Nova York filha de pai islandês e mãe venezuelana. “Fiz o jardim de infância na Venezuela e passei todos os verão lá", conta.

O confundador da AOL, Steve Case, foi um dos três jurados que selecionou Birgisson e se comprometeu a fazer um investimento pessoal de US$ 100 mil em sua firma.

O empresário qualificou a start up de Birgisson e de outras três competidoras como "empresas impressionantes com um potencial incrível" e "o tipo de empresas em que investir me emociona".

Um conselho:

"Hoje em dia, uma pessoa pode ser inovadora na América Latina da mesma forma que pode ser nos Estados Unidos ou no Vale do Silício. Procurem as oportunidades que existem em torno de seus interesses, por exemplo: o Google for Entrepreneurs tem um campus de inovadores em Madrid e São Paulo.

Busquem o que os apaixona e tentem ser os melhores em sua área. Ser empresário é difícil, mas pode ser muito gratificante."

Yenny Carias, Honduras

Sobre o projeto:

Desenvolveu um software que traduz a voz para a linguagem de sinais de Honduras (LESHO).

"Tive uma aluna surda na primeira disciplina que lecionei na Universidade Nacional Autónoma de Honduras (UNAH). Catherine era uma menina muito inteligente, sabia ler os lábios, mas dar aula para ela era bastante complexo."

Impacto:

Não existe um censo atualizado de quantas pessoas surdas vivem no país, mas se estima que sejam mais de 50 mil, disse Carias à BBC Mundo.
"Nesses momentos as pessoas que estão sendo beneficiadas são os estudantes surdos da UNAH, porque o sistema foi desenvolvido para eles, para ajudá-los nos estudos. São entre 10 e 20 pessoas, pois varia a cada ano."

Reconhecimento:

Um jurado dos prêmios MIT Centroamérica de 2014 assinalou que o projeto de Carias "reflete o verdadeiro espírito empreendedor deste reconhecimento, através da combinação de inovação tecnológica de ponta e uma significativa melhoria social e de qualidade de vida".

Os alunos surdos podem seguir as explicações do professor pelo avatar que aparece em uma tela

Um conselho:

"Solicitar apoio a instituições ou centros de empreendimento de universidades. No meu caso, como não há nenhum benefício econômico, mas um retorno social, a UNAH me deu apoio para desenvolver o software. Também é possível procurar ajuda de um parceiro investidor."

Yondainer Gutiérrez, Cuba

Sobre o projeto:

Fez o projeto gráfico do site da rede de saúde de Cuba, Infomed, referência para médicos e pesquisadores da ilha.

Esta foi sua tese de graduação, feita com Yelena Bequer Crespo, no Instituto Superior de Desenho Industrial de Havana.

Gutiérrez ajudou a melhorar a navegação pelo site da Infomed
"Estávamos buscando temas de teses interessantes que pudessem ter um impacto na sociedade e concluímos que a Infomed precisava ser redesenhada. E foi o que fizemos", destacou o jovem de 27 anos à BBC Mundo.
Com novo projeto visual na internet, os designers otimizaram a visualização do conteúdo e do acesso à informação da Infomed.

Reconhecimento: 

Este trabalho foi merecedor, em 2014, do primeiro prêmio dado pela Escritório Nacional de Desenho Industrial (ONDi) de Cuba ao melhor projeto com significativos aportes sociais.

Apesar de o acesso à internet ser restrito em Cuba, Gutiérrez conseguiu "dar um jeitinho" para criar websites e aplicativos para dispositivos móveis para usuários no exterior. É também um dos criadores do site e app AlaMesa, um guia de culinária cubano. Este ano, foi selecionado pela revista Forbes como um dos "Revolucionários Tecnológicos de Cuba".

Um conselho:

"É preciso criar negócios de empreendimento que sejam úteis, que tenham algum benefício na vida diária das pessoas desse lugar. Muitos projetos fracassam porque não tem sentido".

Rodrigo Teijeiro

Nesta amostra de empreendedores não poderia faltar Rodrigo Teijeiro, que ganhou o prêmio do MIT Technology Review em 2012. O argentino fundou a Sonico, rede social latinoamericana que "chegou a superar o Facebook em 2008 com mais de 55 milhões de usuários", disse ele a BBC Mundo.

Atualmente, ele lidera o Recarga.com, uma plataforma de pagamentos móveis que atinge "500 milhões de pessoas" na América Latina com celulare pré-pagos. Para ele, ser empreendedor "é uma montanha-russa emocional".

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