Cartão-postal londrino, ônibus de dois andares prepara 'revolução verde'

Ônibus de dois andares foi relançado em 2012 com motor híbrido
'O sistema de transporte público de Londres é um dos mais famosos do mundo - em grande medida, por causa do ônibus vermelho de dois andares que é um dos cartões postais da capital britânica.



Mas como se trata também de um dos sistemas mais antigos do mundo, a estrutura também possui alguns dos aspectos mais obsoletos. Por isso, a cidade tem promovido grandes reformas na sua malha de trens subterrâneos e ônibus.
Para se preparar para o futuro, muitas dessas reformas implicam um grande ganho tecnológico.

Mudanças radicais

Os trens do futuro serão radicalmente diferentes. No futuro, as autoridades imaginam trens sem maquinista, operado remotamente.

Os novos trens já possuem um formato diferente: são um grande veículo único no qual os passageiros embarcam, em vez de diversos vagões menores conectados uns aos outros. Isso facilitou a instalação de um sistema central de ar condicionado.

Outra mudança em estudo é uma ponte flutuante acima do rio Tâmisa para uso exclusivo de bicicletas.

Nas ruas, os ônibus vermelhos de dois andares também estão sendo repaginados. A frota de 8,7 mil veículos, que transporta 6,5 milhões de passageiros por dia, está sendo atualizada, incorporando algumas das tecnologias de ponta da indústria automobilística.

Antigo Routemaster, aposentado em 2005, é um dos cartões postais de Londres
Os novos ônibus da capital britânica são elétricos e reduzam bastante a emissão de gás carbônico. Mas se funcionarem os novos testes que serão conduzidos pela empresa de transporte público londrina, Transport for London (TfL), a mudança pode ser ainda mais profunda.

Os engenheiros estão testando um sistema de recarga energética que fará com que o ônibus se "abasteça" em postos especiais espalhados pela cidade.

A mudança começou com uma volta ao passado: ao Routemaster, um ônibus dos anos 1950 e 1960 que tem a parte traseira aberta. Por ela, os passageiros podem subir e descer com agilidade. Muitos desses modelos foram aposentados só em 2005 - os outros haviam ficado no passado, com seus motores a diesel barulhentos e altamente poluentes.

Mas em 2012, o Routemaster foi repaginado e relançado com um motor híbrido - parte dele diesel e parte elétrico. O novo design foi elogiado até por revistas de automóvel, como a Autocar.

Agora a TfL está querendo dar um passo além, com carga elétrica sem fio. Os testes começarão em 2015. O plano é não precisar recolher os ônibus à garagem e evitar o uso de um emaranhado de fios e cabos para carregá-los.
"Estamos muito conscientes do impacto ambiental, tanto em termos de qualidade de ar como também de emissão de CO2", diz Mike Weston, diretor de ônibus do TfL.

"Estamos vendo cada vez mais interesse na eletrificação completa dos ônibus, não só no Reino Unido como na Europa e em muitas partes do mundo."

Carga sem fio

A TfL está estudando formas de espalhar baterias pela cidade para que os ônibus se abasteçam nesses pontos. É semelhante ao que fazem os donos de telefones celulares, que carregam seus aparelhos em qualquer tomada que acham.

Desta forma, o ônibus consegue usar mais eletricidade, e mudar para o diesel apenas quando estiver distante de um ponto de carga.

Várias cidades do mundo estão de olho na experiência que é feita em Londres

"Muitos dos nossos ônibus de dois andares vão percorrer as ruas por 19 a 20 horas por dia", diz Weston.

"Se fossemos colocar baterias dentro dos ônibus, não teríamos lugar para os passageiros. Por isso é um desafio criar um ônibus elétrico."

A carga sem fio acontece com uma tecnologia que transfere 10kW a cada cinco minutos. A tecnologia é semelhante à das escovas de dente elétricas, que se carregam sem contato direto com a fonte de energia.

O ônibus para em cima de uma placa especial e rebaixa a sua suspensão para ficar a 15 centímetros do ponto. O motorista sequer precisa sair do ônibus para "abastecê-lo", o que poupa tempo no procedimento de carga.

A meta da TfL é usar 80% de energia elétrica nos seus testes, deixando o diesel para emergências.

Solução para outros

Autoridades de transporte do mundo todo estão de olho nesta experiência.
Londres não é a única cidade conduzindo testes assim. Em Milton Keynes, cidade a uma hora da capital londrina, alguns ônibus já possuem essa tecnologia. Na Coreia do Sul, experiências semelhantes estão sendo conduzidas.

Mas Londres é provavelmente a única cidade que está conduzindo os testes com um de seus "cartões postais".

O sucesso dos testes pode mudar para sempre a imagem internacional da cidade."

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