Meu primeiro encontro com a ficção

"Ontem eu pensei muito em ficção, realidade e onde um termina e o outro começa."
Fernanda Romano, adNEWS

"Minha obsessão com ficção científica não é de hoje. Também não sei de quando é, se eu for cem por cento honesta. Queria dizer que data do meu primeiro encontro com Yoda ou Spock, ainda que, atualmente, graças a Hollywood, para ser geek de verdade tem que dizer algo mais para Morpheus (de Sandman, para os leigos) ou Malcolm Reynolds. Mas a verdade é que eu não sei quando começou.

Eu me lembro de uma cena na sala de artes da escola em que, sabe-se lá por que, falávamos sobre uma sub-raça de seres humanos – minha memória é usualmente visual, sou capaz de lembrar o lugar, as roupas, mas quase sempre esqueço o conteúdo exato e os nomes das pessoas. Não faço ideia de quem estava nesse papo; quanto mais penso em meus colegas de escola, mais difícil me parece que esse papo tenha sido na 6a série mesmo. Talvez o Fernão. Ou o Sylvio.

É nesses momentos que eu fico perto de perder o controle; penso que talvez a minha memória tenha sido implantada, que talvez nada disso exista, que somos todos baterias do Matrix e que aquela cena da cozinha em que o menino diz que "tudo tem gosto de frango" é realmente genial. Afinal, até jacaré tem gosto de frango, já experimentou?

Por falta de uma data melhor, vou crer que essa obsessão vem desde a sexta série. Eu devia ter onze ou doze anos. Ouso dizer que foi quando eu li Aldous Huxley pela primeira vez. Fiquei fascinada. O Admirável Mundo Novo de Londres em 2540 me parecia horrível e, ao mesmo tempo, totalmente plausível.

Ontem eu pensei muito em ficção, realidade e onde um termina e o outro começa. Já me perguntei até se, de fato, o que ocorre não é uma intersecção. Primeiro, li uma matéria sobre as últimas revelações do Snowden. O tal supercomputador que manda vírus de volta para as máquinas que enviam malware para os Estados Unidos. Depois, uma análise sobre a morte na era das redes sociais – aliás, li alguns textos sobre isso e alguns eram de chorar. De tão ruins. À noite eu assisti os três episódios que ainda não tinha visto de Defiance e vi o ultimo de Extant.

Fui dormir me sentindo o Neo. A Trinity, na verdade. Fiquei esperando o Morpheus (do Matrix) me mandar um Whatsapp. Não rolou. Vou jantar um hambúrguer. Quando rolar a mensagem, vai ser só gororoba. Aproveito enquanto posso."

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