Pesquisadores sugerem que perda de grandes animais aumenta doenças em humanos

Imagem: Sem a presença de grandes animais, população de roedores cresce e ameaça saúde humana / Smithsonian Institution
Fernanda B. Müller, Instituto CarbonoBrasil 

'Em um novo artigo, usando como estudo de caso zoonoses transmitidas por roedores no leste africano, pesquisadores fornecem evidências do aumento do risco de doenças em seres humanos logo após o desaparecimento de grandes animais.

O declínio crescente na população de grandes mamíferos dos ecossistemas ao redor do mundo está fazendo com que algumas florestas tenham uma população cada vez maior de animais menores, especialmente de roedores, causando alterações em muitos processos naturais.

Assim, pesquisadores de várias entidades norte-americanas, entre elas a Universidade de Stanford e o Smithsonian Institution, resolveram entender quais os impactos desta mudança na composição da fauna para a transmissão de doenças.

O teste da hipótese foi realizado em um ecossistema de savana, no Quênia, sendo examinadas alterações na prevalência e abundância de infecções causadas pela bactéria Bartonella spp nos roedores. Esta bactéria é capaz de provocar uma série de doenças no ser humano, transmitidas principalmente pela saliva de pulgas.

Os pesquisadores concluíram que a população de roedores quase dobrou após a remoção de grandes animais e que mais de 95% deles tinham pulgas. Com o aumento do número de roedores e de pulgas, a presença da Bartonella também foi muito maior nesta área do que em outra, onde os roedores eram mantidos sob controle por grandes mamíferos, que tendem a não ter tantas pulgas.

Os autores explicam que a compreensão dos efeitos da perda da biodiversidade sobre doenças causadas por animais é extremamente importante tanto para a conservação quanto para a saúde pública. Pelo menos 60% de todas as doenças humanas originaram em outras espécies animais.
O artigo foi publicado na última edição do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences."

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