Pinguins sentem impactos das mudanças climáticas

Tim Radford, Climate News Network/ Carbono Brasil

As mudanças climáticas são ruins para filhotes de pinguins. Se a chuva não molha suas penas e os mata de frio, então os extremos de calor podem fazê-los morrer de hipertermia.

Ao longo de um projeto de pesquisa de 27 anos na maior colônia de pinguins-de-magalhães do mundo, na árida costa da Argentina, cientistas observaram um número maior de mortes diretamente atribuídas às mudanças climáticas.

“Vamos ver anos em que quase nenhum filhote sobreviverá se as mudanças climáticas continuarem tornando as tempestades maiores e mais frequentes durante o período vulnerável da estação de reprodução”, disse Ginger Rebstock, que, com Dee Boersma, relata o estado de sobrevivência dos pinguins no periódico PLOS One, da Public Library of Science.

Os dois cientistas, biólogos da Universidade de Washington em Seattle, Estados Unidos, acreditam que a fome e o clima vão tornar a vida mais difícil para os descendentes dos 200 mil pares de pinguins que se reproduzem a cada ano em Punta Tombo, na costa atlântica da Argentina.

O número de tempestades durante as duas primeiras semanas de dezembro – quando todos os filhotes têm menos de 25 dias e sua cobertura de penugem ainda não é à prova d’água – aumentou entre 1983 e 2010. Durante a duração do estudo, os pesquisadores calculam que 65% dos filhotes não sobreviveram, sendo que 40% deles morreram de inanição, o que também tem relação com as mudanças climáticas, uma vez que as tempestades estão tornando mais difícil para os pais reunirem comida suficiente para alimentar seus filhotes.

Em alguns anos, até metade de todos os filhotes morreram por causa do clima. Punta Tombo é uma região historicamente árida. Nos últimos 50 anos, relatam os cientistas, a precipitação aumentou. Também cresceu o número de dias úmidos e o número de dias úmidos consecutivos.

Mudanças no gelo marinho

“Filhotes famintos estão mais propensos a morrerem em uma tempestade”, afirmou o professor Boersma. “Pode não haver muito o que possamos fazer para mitigar as mudanças climáticas, mas medidas podem ser tomadas para garantir que a maior colônia de pinguins-de-magalhães da Terra tenha o suficiente para comer através da criação de uma reserva marinha protegida, com regulamentações sobre a pesca, onde os pinguins se alimentem enquanto criam seu filhotes.”

Mais ao sul, os extremos climáticos estão começando a tornar a vida difícil para pinguins-de-adélia da Ilha de Ross, na Antártida. Amélie Lescroël, do CNRS, na França, e seus colegas relataram na mesma edição do PLOS One que condições anormais no gelo marinho reduzem o acesso à comida.

Pinguins antárticos são, obviamente, adaptados ao gelo marinho: é o seu habitat preferido. Mas eles precisam responder a mudanças em curto e longo prazo nos níveis de gelo. Por 13 anos, cientistas monitoraram o êxito na alimentação da colônia da Ilha de Ross e observaram que as aves podiam lidar com as estações em que havia menos gelo marinho.

Mas as mudanças climáticas na Antártida também criaram novos problemas para as aves e limitaram sua eficiência em se alimentar.

“Nosso trabalho mostra que os pinguins-de-adélia podem lidar com menos gelo marinho em torno de seus locais de reprodução no verão”, declarou a doutora Lescroël. “Contudo, também mostramos que eventos ambientais extremos, tais como a quebra de icebergs gigantes, podem modificar dramaticamente a relação entre os pinguins-de-adélia e o gelo marinho.”

 Se a frequência de tais eventos extremos aumentar, então se tornará difícil prever como as populações de pinguins sobreviverão, acredita a pesquisadora."

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original no Climate News Network (inglês)

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