Um quarto dos tubarões e arraias está ameaçado de extinção

Loren Bell, Mongabay / Carbono Brasil

"De acordo com um novo estudo publicado no periódico de acesso livre eLife, 25% dos tubarões e arraias do planeta estão em risco. O trabalho analisou o estado de ameaça e conservação de 1.041 espécies de Chondrichthyans (cartilagíneos) – a classe dos peixes cujos esqueletos são feitos de cartilagem em vez de ossos, que inclui tubarões, arraias e quimeras – e descobriu que esse grupo está entre os animais mais ameaçados do mundo.

A colaboração entre 300 cientistas de 64 países relata que “as principais ameaças aos Chondrichthyans são a exploração excessiva através da pesca específica e capturas incidentais, seguidas pela perda de habitat, perseguição e mudanças climáticas.”

Os autores identificam duas áreas com níveis de ameaça maiores do que o esperado: o Triângulo de Biodiversidade do Indo-Pacífico e o Mar Vermelho. A primeira está entre as áreas mais biológica e culturalmente diversas do planeta, mas também está entre as menos regulamentadas.

“O Triângulo de Biodiversidade do Indo-Pacífico, especialmente o Golfo da Tailândia e as ilhas de Sumatra, Java, Bornéu e Celebes, é o hotspot de maior ameaça residual, especialmente para tubarões e arraias do litoral, com 76 espécies ameaçadas.” Os autores do trabalho argumentam que, sem ações nacionais e internacionais, as espécies encontradas nessa área podem rapidamente se tornar extintas.

O trabalho cita o ‘finning’ – o processo de cortar as barbatanas e jogar o corpo de volta no oceano – como uma grande ameaça a tubarões, peixes da família Rhynchobatus e peixes-serra. Essa prática é impulsionada pelas demandas de mercado na China, onde a sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria muito procurada.

“Barbatanas, em especial, se tornaram uma das commodities alimentares marinhas mais valiosas”, escreveram os autores. “Estima-se que as barbatanas de entre 26 e 73 milhões de indivíduos, no valor de US$ 400-550 milhões, sejam comercializadas a cada ano.”

O grande tamanho do corpo e habitats rasos são os fatores que mais determinam a probabilidade de uma espécie estar ameaçada. “A probabilidade de que uma espécie esteja ameaçada aumenta em 1,2% para cada 10 cm de comprimento na extensão máxima do corpo, e diminui em 10,3% para cada 50 cm de aprofundamento no limite mínimo da profundidade [do habitat] da espécie”, relataram os autores.

Além da pesca específica, 20 espécies de tubarão e arraias estão diretamente ameaçadas pela poluição, 22 espécies estão ameaçadas pela destruição de sistemas fluviais e estuários devido ao desenvolvimento residencial e comercial, e 12 espécies estão em risco por causa da conversão de manguezais em fazendas de camarão e da construção de barragens e outras medidas de controle da água.

“Embora nenhuma espécie tenha sido levada à extinção global – até onde sabemos”, escreveram os autores, “pelo menos 28 populações de peixes-serra, arraias e cação-anjo estão local ou regionalmente extintas”, e “várias espécies de tubarão não têm sido vistas há muitas décadas”.

Citação: Dulvy, Nicholas K., Sarah L. Fowler, John A. Musick, Rachel D. Cavanagh, Peter M. Kyne, Lucy R. Harrison, John K. Carlson, et al. 2014. Extinction Risk and Conservation of the World’s Sharks and Rays. eLife 3. doi:10.7554/eLife.00590

Traduzido por Jéssica Lipinski

Leia o original no Mongabay (inglês)

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu sou do Recife, então por mim pode matar essas porras tudo. Antes eles do que pessoas.