Mecânico cria lâmpada com água sanitária e cloro que 'engarrafa' luz solar

O "reinventor" da lâmpada; Moser desenvolveu um método para "engarrafar" luz solar e reduzir consumo de energia durante o dia / Silva Junior/Folhapress
"Alfredo Moser é conhecido por "reinventar" a lâmpada. Em Uberaba (MG), o mecânico desenvolveu um método para "engarrafar" a luz solar e reduzir o consumo de energia durante o dia. Em 2011, a invenção foi adotada em projetos sociais de países como Filipinas e Índia. A tecnologia, no entanto, ainda não decolou no Brasil. Dez anos depois da criação, ele busca apoio para aprimorar o protótipo e popularizar a "lâmpada de Moser".

Gisele Barcelos, Folha de S. Paulo 

Encontrei com o Chico Xavier na rua um dia. Parei para cumprimentar e começamos a conversar. De repente, ele colocou a mão na minha cabeça e disse: "Moser, você vai ter uma luz na sua vida. Só que essa luz não vai ser só sua, vai ser do povo".

A frase me animou porque essa luz já me acompanhava desde 1974. A ideia surgiu quando trabalhei em uma oficina de Brasília. Estava preocupado porque havia muitos acidentes de avião na época, mas eu não sabia como avisar o resgate sem o material de sinalização.

Meu chefe explicou que daria para colocar fogo no capim e fazer sinal de fumaça. Era só pegar uma garrafa de vidro com água e deixar no sol. Mudei para Uberaba na década de 80, mas a história da garrafa continuou na minha cabeça o tempo todo.

Depois do encontro com o Chico Xavier, tive mais força para desenvolver a lâmpada, na época da ameaça do racionamento de energia, em 2001.

Estava na minha oficina quando fiz a primeira experiência. Vi um buraco na telha e não tinha como consertar. Resolvi usar uma garrafa de plástico pequena, cheia de água, para tampar. Ficou tudo claro dentro da garagem.

Como o telhado já estava quebrado, arrebentei um pouco mais e encaixei a garrafa de dois litros. A claridade foi ainda maior. Assim surgiu a "lâmpada de Moser".
Melhorei a invenção aos poucos, inclui água sanitária ou cloro na garrafa para manter o plástico limpo e refletir melhor a luz do sol.


A iluminação era tão boa que levei a lâmpada para casa. Instalei na cozinha, no banheiro e na lavanderia. Não preciso mais acender a luz de dia. E o melhor é que a lâmpada também apaga sozinha.

Depois, foi parar na casa de vizinhos e em lojas. A ideia chamou a atenção da imprensa local, da companhia de energia e se espalhou. Fui até convidado para apresentar o projeto no Parque Ecológico Chico Mendes, em Osasco.

Ensinei como produzir a lâmpada e a invenção foi instalada no parque.
Em pouco tempo, a proposta de energia limpa interessou à fundação internacional My Shelter. Agora, está sendo colocada em casas para comunidades pobres da Ásia e da África. Meu sonho é viajar e agradecer a quem adotou a invenção fora do Brasil.

No país, não consegui muita ajuda para desenvolver o novo protótipo. Recebi homenagens, mas nenhuma parceria para levar a ideia mais longe. Há tempos tenho a intenção de criar uma lâmpada carregada por energia solar.

Precisaria agregar outro processo para ter luz limpa à noite. Não estou fazendo para ficar rico. Quero colaborar."

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