Licores de frutas amazônicas já atraem atenção estrangeira



“Frutas típicas da região amazônica, como cupuaçu e açaí, estão sendo usadas como matéria-prima para a fabricação artesanal de licores e cachaças por um farmacêutico aposentado. As bebidas produzidas por José Cabral, ex-pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) com doutorado em farmacognosia, já estão despertando a atenção de comerciantes estrangeiros, que consideram os produtos de grande apelo comercial pela forma como são fabricados e pelas frutas usadas.

De todas as bebidas criadas pelo cientista aposentado, a mais recente produção é a aguardente de cupuaçu, justamente a que tem recebido maior atenção estrangeira. Com 40% de álcool, a bebida está em processo de regulamentação pelo Ministério da Agricultura, que está avaliando a composição etílica do produto. Apenas após a liberação é que o pesquisador dará início às vendas. Mesmo que já estivesse liberado, ele afirma que não iniciaria a comercialização por não ser capaz, ainda, de atender à esperada alta demanda.

Mas o pesquisador, agora também empresário, está investindo. Um novo alambique importado de Minas Gerais já está a caminho de Manaus, onde se juntará ao que ele já dispõe em sua empresa, para ser capaz de produzir 30 litros por dia de aguardente. Quando chegar ao mercado, a bebida não sairá barata. Cabral afirma que, para produzir um litro de aguardente, são necessários 10 kg de cupuaçu – cada um comprado, em média, a R$ 7. Fora os valores de impostos de fabricação e comercialização, mão-de-obra e outros custos.

“Mas estamos falando de uma bebida para ser apreciada apenas em ocasiões especiais. Se for para se embriagar, qualquer uma serve”, explica o pesquisador, que ofereceu a este repórter uma pequena amostra da aguardente, enquanto apresentava uma pequena lista de espera de possíveis compradores. Lista que, segundo ele, tende a aumentar em breve.

O produto vem sendo desenvolvido e aprimorado há cerca de dois anos. O sabor e a composição da aguardente têm sido elogiados em apresentações a empresários e especialistas. Cabral afirma que, entre 2011 e 2012, ele esteve na Itália, onde mostrou a bebida a um especialista na bebida.

Segundo ele, o italiano comparou o sabor da aguardente de cupuaçu a uma histórica bebida feita pelos etruscos – aglomerado de povos que habitaram a região da Toscana (Itália) antes da ascensão do Império Romano. A comparação, vinda de um especialista em aguardentes e licores, animou o pesquisador.

Outros sabores

O portfóllio etílico de Cabral vai além da esperada aguardente de cupuaçu. Sua empresa, a Sohervas, já desenvolveu, também artesanalmente, licores de açaí – famoso fruto amazônico por suas propriedades energéticas –, camu-camu, jenipapo e cacau. A maioria delas é batizada usando nomes e expressões traduzidas para o nheengatu – a língua geral amazônia, também chamada de tupi-guarani.

O licor de açaí é que tem a história mais curiosa. Cabral conta que, em 2008, um evento acidental o levou ao experimento do licor da fruta. Um amigo havia comprado açaís para extrair suco, mas esqueceu no carro, em um final de semana. Apenas dias depois lembrou-se e tentou evitar a perda extraindo o suco mesmo assim, com ajuda de uma máquina.


No entanto, o suco extraído já estava em fase de fermentação. Em vez de jogar fora, Cabral resolveu experimentar e prolongar o processo de fermentação utilizando o alambique que já possuía. Resultado: álcool em uma bebida de sabor que agradou ao pesquisador. Cabral imediatamente iniciou os trabalhos de aprimoramento da bebida que, segundo ele, possui 22% de álcool e 33% de açúcar. Atualmente, são mais de 20 frutas usadas como matéria-prima da produção de bebidas – as quais nem todas o pesquisador revela. “Por enquanto é segredo”, conta.

Os produtos do pesquisador estão em exposição na sétima edição da Fiam (Feira Internacional da Amazônia), evento realizado pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).”

O repórter Mário Bentes viajou a convite da Suframa.

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