Modelagem matemática remonta origens e evolução de contos populares



Contos mundialmente populares, como o de Chapeuzinho Vermelho e a do lobo em pele de cordeiro, possuem uma origem comum e um comportamento evolucionário muito similar à própria evolução das espécies, segundo estudo feito por antropólogos da Universidade de Durham, na Inglaterra. Utilizando modelagens matemáticas, os pesquisadores descobriram que as histórias contadas oralmente ao longo dos anos se enquadram em uma espécie de diagrama da vida, similar à utilizada por biólogos para reproduzir a árvore evolutiva das espécies animais.

O estudo, publicado nesta quinta-feira (14) na revista científica PLoS ONE, foi coordenado pelo antropólogo Jamie Tehrani, que demonstrou que os contos de Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau, por exemplo, possuem uma raiz comum, embora sejam histórias distintas atualmente. “Isso é um pouco como um biólogo mostra que os seres humanos e outros primatas compartilham um ancestral comum, mas evoluíram para espécies distintas”, explica Tehrani.

Segundo ele, a história do lobo em pele de cordeiro provavelmente se originou no século primeiro depois de Cristo, enquanto a de Chapeuzinho Vermelho se consolidou popularmente cerca de mil anos mais tarde. “O Lobo e as crianças”, popular na Europa e no Oriente Médio, trata de um lobo que se faz passar por um cordeiro para devorar as crianças de uma aldeia. Já “Chapeuzinho Vermelho” é sobre um lobo que devora uma jovem depois de passar por sua vó.

Ancestral comum

Variantes dessas histórias são comuns na África e na Ásia, por exemplo, onde o papel do lobo é assumido por um tigre, como no Japão, China e Coréia. “Chapeuzinho Vermelho” foi publicado pelos irmãos Grimm há 200 anos, mas sua versão é baseada em uma história anterior, do século 17, escrita pelo francês Charles Perrault – que por sua vez derivou de contos contados oralmente em antigas tradições na França, Áustria e norte da Itália.

Tehrani e sua equipe submeteram 58 variantes de contos populares a uma análise filogenética, um método mais comumente usado pelos biólogos para agrupar organismos estreitamente relacionados para formar uma árvore de diagrama de vida, mapeando os vários ramos da evolução desde as primeiras formas de vida.

A análise levou em conta 72 variáveis de enredo, tais como o gênero e características do protagonista (homem ou mulher, criança ou um grupo de irmãos), o vilão (lobo, ogro, tigre ou outra criatura), os truques usados pelo vilão para enganar a vítima e, por fim, o desfecho: se a vítima é devorada, escapa por si só ou é resgatada por outro personagem.

A filogenética utilizada, nesse caso, envolveu um processo de modelação matemática que comparou as semelhanças entre as variáveis de trama, estabelecendo pontuações de acordo com a probabilidade de que eles tivessem a mesma origem. Isso permitiu a construção de uma árvore que mostrou os caminhos mais prováveis da evolução das histórias.

Com informações do Phys.org

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