Kofi Annan pergunta: quem fará algo pela crise climática?


Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil

“Em um artigo publicado no jornal The New York Times, o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, critica os resultados da Conferência do Clima de Varsóvia (COP 19), que terminou na semana passada, e afirma que está em nossas mãos evitar as piores consequências do aquecimento global. 

Segundo Annan, que atualmente é presidente do The Elders - entidade que reúne líderes internacionais como Nelson Mandela, Jimmy Carter e Fernando Henrique Cardoso, para buscar soluções para os desafios da humanidade -, os governantes estão demonstrando falta de vontade política e cabe às pessoas comuns assumirem um papel de liderança.

Ele ressalta a importância de inciativas já existentes ao redor do mundo, como um programa na Austrália que ajuda um milhão de mulheres a adotar pequenos passos em seu cotidiano para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Mas também pede que as pessoas pressionem mais os governos.

“A mudança climática deve ser levada em conta em qualquer nova política, seja para o desenvolvimento ou para o setor de energia. Deve determinar como construímos nossas casas e como estruturamos nossa economia. Pensamento verde não pode ser uma responsabilidade solitária de poucos ambientalistas enquanto o resto de nós segue vivendo como se não houvesse amanhã”, afirmou.

O artigo recomenda o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, que somariam US$ 485 bilhões ao ano, muito mais do que o investimento global em energias renováveis.

Annan explica que a ciência já nos diz que a humanidade é o fator dominante por trás do aquecimento global percebido desde 1950, mas destaca que isso tem um lado positivo.

“Se a ciência afirma que a atividade humana é o principal motor do aquecimento global, isso significa que a ação humana também pode revertê-lo. Mas devemos agir antes que as consequências climáticas se tornem irreversíveis. Não agir será catastrófico”, conclui.

Annan e as Nações Unidas foram co-receptores do Prêmio Nobel da Paz de 2001 pela criação do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária.”

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