Como uma droga para viciados em heroína virou um fenômeno nos EUA — e começa a preocupar o Brasil


O suboxone


‘O Suboxone é um medicamento utilizado para combater a dependência de analgésicos e opiáceos, principalmente a heroína. Chegou oficialmente ao Brasil em 2007. Você pode encontrá-lo na farmácia da esquina. No site do Ministério da Justiça, há uma nota que, de certa forma, “comemora” sua entrada no nosso mercado. Está se tornando popular aqui. E, nos EUA, virou um problema de saúde.

Recentemente, o New York Times publicou uma reportagem sobre o uso do Suboxone, denunciando um mercado paralelo que tem feito da droga a segunda mais vendida nos Estados Unidos, perdendo apenas para o Viagra.

 Médicos estão fazendo fortuna prescrevendo a medicação como “tratamento”. Há exemplos de alguns deles que chegam a cobrar 7 mil dólares para assistir às “necessidades” de seu clientes — o que consiste, basicamente, em emitir receitas da medicação.

O exercício da medicina, nesse caso, tem invadido com frequência a fronteira do tráfico de entorpecentes. O Suboxone foi desenvolvido há cerca de dez anos como uma alternativa mais eficiente que a metodona para tratamento de dependentes de opiáceos em geral. Principalmente viciados em heroína, mas, também, aqueles que por qualquer motivo criaram dependência de analgésicos. É o caso de pacientes com câncer ou vítimas de acidentes graves, por exemplo.

Nome comercial da buprenorfina, o Suboxone é um caso em que “é comum que a droga para combater dependência também crie dependência”, explica o psiquiatra Eduardo Brazolini, há 20 anos tratando dependentes. O sucesso extrapolou os limites da medicina, tornando-o algo parecido com a metanfetamina. Sai dos laboratórios para municiar um contingente cada vez maior de viciados nela mesma.

Não há interesse em alardear complicações nesse mercado vigoroso, o que poria em risco a legalidade do produto. O laboratório Reckitt & Colman, responsável pela distribuição do Suboxone nos EUA, tem feito esforços para mantê-lo longe do alcance das agências de regulamentação de remédios, solidária, é claro, com o consumo desenfreado — e para isso também conta com a ajuda de médicos que lucram com a prática.

Por aqui, a prescrição é controlada pela Anvisa. “É feita com a receita de cor amarela, que é a mais controlada”, diz Eduardo Brazolini. O Suboxone é distribuído no Brasil pelo laboratório italiano Moltene, especializado na fabricação de drogas para dependentes. Como é mais indicada para heroinômanos, ainda não ganhou tanta popularidade por essas bandas, embora seu consumo esteja crescendo.

O Suboxone está revelando um lado obscuro da medicina e da indústria de remédios, cujos objetivos nem sequer se aproximam do conceito de tratamento ou cura.”

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