Nanopartículas potencializam efeitos de medicamentos contra o câncer



“Engenheiros químicos da UNSW (Universidade de Nova Gales do Sul) sintetizaram nanopartículas constituídas de óxido de ferro com o objetivo de potencializar os efeitos dos medicamentos usados em quimioterapias contra o câncer. As nanopartículas levam as drogas para as células e ainda permitem que os médicos possam acompanhar, em tempo real, a ação dos medicamentos no organismo. Os resultados da pesquisa foram publicadas na revista científica ACS Nano.

“As nanopartículas de óxido de ferro podem acompanhar a entrega da droga e permitir que se adapte individualmente os tratamentos, de acordo com as necessidades dos pacientes”, explica o professor Cyrille Boyer, da faculdade de Engenharia Química da UNSW. Ao entender melhor como o medicamento contra o câncer é liberado no organismo, assim como seu efeito sobre as células e tecidos circundantes, os médicos podem ajustar as doses para alcançar um melhor resultado.

Além disso, a inovação clínica conta com outra novidade: as nanopartículas são fluorescentes, de modo que os médicos também podem acompanhar em tempo real a ação medicamentosa. Isso serve para controlar, com mais eficácia, a liberação das drogas no interior das células de câncer do pulmão. “Normalmente, a liberação da droga utiliza modelos experimentais na bancada do laboratório, mas não nas células”, diz Boyer. “Isso é significativo, uma vez que nos permite determinar o movimento cinético de liberação da droga em um ambiente biológico de verdade”.

Nanopartículas magnéticas de óxido de ferro têm sido estudadas amplamente por causa de suas aplicações como agentes de contraste em ressonância magnética (MRI, em inglês). Vários estudos recentes já exploraram a possibilidade de equipar esses agentes de contraste com drogas. Mas sua ação como potencializadores de aplicação de drogas no interior das células tem sido contestada por outros estudos.

A diferença em relação ao trabalho de pesquisa da UNSW é que os cientistas desenvolveram uma nova maneira para que haja, de fato, a entrega dos medicamentos por meio do uso de polímeros na superfície de nanopartículas de óxido de ferro. O resultado foi exatamente o esperado: as partículas conseguiram levar as drogas da quimioterapia diretamente para o interior das células. “Isso é muito importante, porque mostra que os compostos químicos estão trabalhando dentro das células”, explica Boyer.

Com informações do Phys.org

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