Neurocientistas descobrem uma nova ilusão da consciência


Jornal, GGN

‘Pesquisadores do Centro Sackler para a Ciência da Consciência da Universidade de Sussex realizaram estudo em que sugerem que o cérebro pode se “apropriar” de objetos físicos ou informações visuais como parte do corpo, em um tipo de ilusão de consciência que os pesquisadores ainda tentam entender completamente. O novo estudo – pelo qual os pesquisadores buscam compreender condições clínicas específicas, como ansiedade e distúrbios de imagem corporal – foi publicado recentemente na revista Neuropsychologia.

Para estudar melhor essa ilusão de consciência, os cientistas usaram testes bem conhecidos, como a ilusão da mão de borracha: por meio de estímulos sensoriais, uma pessoa é convencida temporariamente de que uma mão de borracha (de algum modo oculta da vista) é sua mão propriamente dita. Os pesquisadores também usaram uma outra versão da ilusão: sincronizaram os batimentos cardíacos das pessoas testadas com um coração virtual que aparecia por meio de óculos de realidade aumentada.

A sincronia entre os batimentos cardíacos reais com os movimentos de pulsação do coração virtual levavam o cérebro dos usuários a relacionar aquele coração digital ao seu próprio corpo, no que os pesquisadores chamam de “apropriação corporal”. A pesquisa mostrou que o cérebro de fato entende como sendo do corpo um órgão que sequer existe – a constatação vale tanto para a mão de borracha como para o coração em realidade aumentada.

Ainda que os mecanismos de funcionamento desse tipo de ilusão ainda sejam um mistério para os neurocientistas, há consenso de que essa apropriação depende da percepção dos processos internos do corpo (como os batimentos cardíacos), e de que essa percepção é fundamental para a emoção e para a consciência. Ainda nos testes, também foi constatado que a ilusão não funcionava quando os batimentos estavam dessincronizados com os movimentos do coração virtual.

“Os resultados da nossa pesquisa mostram que muitos outros processos de percepção e cognição podem ser afetados pela batida do coração – o que tem implicações importantes para condições clínicas, tais como ansiedade e distúrbios de imagem corporal”, explica Professor o professor Anil Seth, um dos responsáveis pelo estudo. Além de ajudar a compreender os mecanismos de formação da consciência, o estudo também pode corroborar uma teoria dos próprios pesquisadores que afirma que o cérebro está continuamente tentando prever seus próprios estados fisiológicos e físicos.

Os pesquisadores esperam que o uso de novas tecnologias possam ajudar a resolver antigos mistérios da relação da ciência da consciência. Os responsáveis pelo estudo preveem ainda que outros métodos de realidade aumentada vão estreitar mais os limites de como experimentamos a nós mesmos e o mundo ao nosso redor.

Com informações do Medical Express.com

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