Cientistas defendem legalização de comércio de chifre de rinocerontes


Rinoceronte com o chifre raspado (Foto: Geoff York/AAAS)

Medida seria tomada para proteger o animal de caçadores ilegais. Produto vale mais que ouro no mercado negro, dizem especialistas.

Globo Natureza / G1

Uma equipe internacional de cientistas publicou, nesta quinta-feira (28), um artigo que defende a legalização do comércio de chifre de rinocerontes. A medida foi sugerida como uma nova estratégia para frear a caça exagerada dos animais – que representa uma ameaça à espécie.

A caça ilegal de rinocerontes é um problema ambiental crescente. Ano após ano, cada vez mais rinocerontes são abatidos e seus chifres são contrabandeados. Os crimes ocorrem na África, mas o principal mercado consumidor é a Ásia – na China, existe uma crença de que o chifre do animal tenha propriedades medicinais.

O artigo publicado pela revista “Science” não é um estudo científico, mas sim uma opinião emitida por especialistas em políticas ambientais, sediados na França, na Austrália e no Zimbábue, baseados no atual contexto e em dados disponíveis na literatura científica.

Segundo eles, há hoje cerca de 5 mil rinocerontes negros e 20 mil rinocerontes brancos no mundo, a grande maioria na região sul da África. Só na África do Sul, o número de animais mortos mais que dobrou por ano, nos últimos cinco anos.

Estratégias anteriores de combate, como a fiscalização contra a caça ilegal e campanhas para conscientizar o consumidor dos danos ambientais causados pelo produto não funcionaram até o momento e deveriam ser abandonadas, na opinião dos especialistas.

Em outro argumento na defesa da legalização, os autores citam o caso dos crocodilos. O comércio ilegal do couro dos répteis também representava uma ameaça de extinção. Depois da legalização, animais passaram a ser criados com este fim, o que, segundo eles, reduziu a caça e impediu a extinção.

No caso dos rinocerontes, a criação de animais para a retirada dos chifres poderia servir ainda mais como proteção por uma questão prática. Se o animal já estiver domesticado, não é preciso abatê-lo para retirar o chifre – ele pode ser apenas serrado e crescerá de volta. Em média, o chifre de um rinoceronte cresce 900 gramas por ano.

Em 2012 um quilograma de chifre de rinoceronte custava cerca de R$ 130 mil no mercado negro. “Chifre de rinoceronte agora vale mais, por unidade de peso, que ouro, diamante ou cocaína”, afirma o artigo.”

Um comentário:

Pastor Edemerval Lacerda de Aguiar Sobrinho disse...

Demorou para essas bestas perceberem isso.

Eu nem sou ambientalista e digo isso há décadas.

Querem parar com a matança dos elefantes e dos rinocerontes?

Autorizem que estes sejam sedados para remoção do que os caçadores buscam.

Sem marfim e sem chifre, não há necessidade do caçador matar os bichos.