A polêmica sobre agrotóxicos chega ao carnaval carioca


Fabiana Frayssinet, da IPS / Envolverde

“O Brasil já entrou no carnaval, que habitualmente paralisa por uma semana a agenda política do país. Mas este ano o patrocínio de uma multinacional a uma escola de samba levou à festa a controvérsia sobre o uso dos agrotóxicos. A escola de samba Unidos de Vila Isabel levará para a avenida o enredo “A Vila canta o Brasil, maior celeiro do mundo – Água no feijão que chegou mais um”, que homenageia os agricultores.

“… Saciar a fome com a plantação… arar e cultivar o solo, ver brotar o velho sonho de alimentar o mundo…”, são partes do samba-enredo composto por Arlindo Cruz, Martinho da Vila, André Diniz, Tonico da Vila e Leonel, para o desfile criado pela carnavalesca Rosa Magalhães. Trata-se de uma homenagem bem recebida por grupos como o Movimento dos Sem-Terra (MST), que faz parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

“A letra do samba reflete de forma impecável a beleza da agricultura camponesa e familiar brasileira”, disse à IPS a ativista Nivia dos Santos, integrante da coordenação nacional dessa campanha e da direção do MST no Rio de Janeiro. “É um tema importante para nós, que lutamos por uma agricultura sem venenos e que possa produzir alimentos saudáveis para toda a população”, destacou. Contudo, o MST denuncia um problema: o patrocínio do desfile da Vila Isabel, uma das 12 escolas do Grupo Especial do carnaval carioca, recebeu o apoio financeiro do grupo transnacional alemão Basf, a maior companhia química do mundo, com importante presença no Brasil.

“Denunciamos que a Vila Isabel está sendo usada pelo agronegócio brasileiro para promover sua imagem, manchada pelo veneno, pelo trabalho escravo, pelo desmatamento, pela contaminação das águas do país e por tantos outros problemas”, diz a carta enviada à direção da escola de samba pela campanha contra os agrotóxicos. “O agronegócio, que não derrama uma gota de suor na enxada, nem compartilha nem protege e muito menos abençoa a terra, quer se apropriar da imagem dos camponeses e da agricultura familiar”, destaca a carta.”
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