Pesquisas dos impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade ainda são incipientes, afirma levantamento



Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil

"Apesar do crescimento acelerado no número dos estudos avaliando as consequências das mudanças climáticas sobre a biodiversidade, eles ainda são bem menos comuns do que os que abordam as outras ameaças à vida, revela uma pesquisa comissionada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

“Análise de Publicações Científicas Existentes Sobre Impactos das Mudanças Climáticas Sobre a Biodiversidade” afirma ainda que poucos países respondem pela maior parte desses estudos e que a produção brasileira é escassa. Para se ter ideia, entre 1991 e 2012, os Estados Unidos publicaram 1031 estudos sobre o tema, enquanto o Brasil apenas 82.

Conduzida pelas biólogas Mariana Moncassim Vale e Maria Lucia Lorini, a análise buscou fornecer um panorama geral sobre a atividade científica e identificou que são necessários maiores suportes financeiros e de recursos humanos para o avanço dos estudos sobre o clima e a biodiversidade brasileira.

As autoras destacam que entre os estudos existentes predominam os que prevêem, através de modelagem, os efeitos das mudanças climáticas sobre diferentes aspectos da biodiversidade, principalmente mudanças na distribuição geográfica de espécies e biomas. Esses estudos são muito populares, pois podem ser desenvolvidos a partir de bases de dados digitais já existentes, muitas vezes de acesso público, como registros de ocorrência de espécies e variáveis ambientais em sistema de informação geográfica para os diferentes cenários de emissão de gases de efeito estufa do Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês).

“A modelagem de distribuição, portanto, “pede” para ser desenvolvida. Visto que mesmo essa categoria mais popular de estudos é rara para os biomas e espécies brasileiras, em parte apenas por falta de capacitação dos profissionais em biologia da conservação no país, este tipo de estudo deve ser estimulado, muito embora haja debate sobre as incertezas, os pressupostos adjacentes e o poder de previsibilidade desse tipo de modelagem”, afirma a análise.”

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