Amazônia continua ameaçada

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

“Quem percorre a Amazônia automaticamente fica ligado com a questão do meio ambiente e da sustentabilidade. No Estado do Acre, onde estivemos nestes dias, hoje governado por Jorge Viana, a figura de Chico Mendes sobressai em qualquer cidade da região. Mas, na verdade, nem tudo são flores por lá, embora da parte oficial o discurso seja de que o Estado tornou-se o primeiro lugar na Amazônia em matéria de defesa do meio ambiente.

Oficialmente, em todo o Estado do Acre, 12% da floresta foram destruídas sendo preservadas 88%, o que em termos de Amazônia é altamente positivo e isso só foi possível, ainda segundo o Governo do Estado do Acre, graças à mudança de mentalidade na questão ambiental.

Mas quem percorre parte do Estado, de Rio Branco à Vila Evo Morales*, já na Bolívia, e mesmo da capital do Acre até Basileia e Cobija, esta cidade no Estado de Pando, outra parte da fronteira boliviana, pode constatar que em cerca de 450 quilômetros das duas estradas, debaixo de um calor abrasador, a mata foi em grande parte destruída e a predominância ficou sendo do pasto para o gado.

O governador e o irmão, Senador Tião Viana, garantem que o grosso da destruição ocorreu nos anos 70 sob a ditadura civil militar que tinha uma concepção de desenvolvimento que subestimava o meio ambiente. Na época em que o Acre era Território, a preservação das florestas não era levada em conta, muito pelo contrário. O Estado chegava a estimular a destruição e reprimia quem se opunha.

Mas especialistas do setor, embora reconhecendo o papel nefasto ao meio ambiente proporcionado pelo Estado naquele período, entendem que a destruição do verde continuou mesmo depois de Chico Mendes.
Chico Mendes e outros líderes sindicais, boa parte assassinada pelos predadores, na verdade foram os principais responsáveis pela mudança de visão na questão da natureza e do seringal.

Em Rio Branco, a Biblioteca dos Povos da Floresta dá bem a ideia da história da relação do homem com a natureza pelo menos a partir de 1877 e os últimos 40 anos em matéria da mobilização dos movimentos sociais.

Nas estradas que ligam Rio Branco à fronteira com a Bolívia não se vê uma plantação e para o ecologista Ernesto Galiotto, a destruição da selva é muito maior do que os números oficiais apresentados. É possível que o percentual preservado naquela área não ultrapasse os 7%.

Se mesmo no Estado do Acre há problemas a serem resolvidos na questão do meio ambiente, pode-se imaginar o restante dos Estados amazônicos que, segundo testemunhas, se encontram em condições lamentáveis em matéria de destruição da floresta até porque muitos ganham eleição com o apoio ostensivo de destruidores do meio ambiente.

Não é à-toa que a temperatura na região Amazônica está subindo a cada ano e, como dizem os trabalhadores do campo, o sol fica cada vez mais próximo e não dá para trabalhar na parte da tarde.

A continuar o perigoso quadro atual na Amazônia, em poucos anos a situação pode se agravar e as alterações climáticas ficarão cada vez mais acentuadas, não só na própria Região Amazônica como em outras partes do Brasil, pois até a mudança de ventos tem reflexos nos resto das regiões do país.

Defesa do meio ambiente é coisa séria da mesma forma que a sustentabilidade, que não pode ser usada assim a bel prazer, até mesmo por empresas que não tem nada a ver com nada em matéria de preservação do meio ambiente, mas como é um símbolo do momento, empregam esse rótulo.

Mas, claro, não é só a Região Amazônica que sofre com a ação dos predadores da natureza. Até mesmo no Rio de Janeiro, volta e meia os meios de comunicação eletrônicos mostram imagens deprimentes de como se encontra atualmente a Baía de Guanabara.

Embora a memória não seja o forte no enfoque das matérias sobre a referida baía, não custa nada lembrar e cobrar alguma providência do Ministério Público no sentido de investigar que fim levou a doação por parte do governo japonês, no governo de Marcelo Alencar (PSDB), de 50 milhões de dólares que seriam destinados à melhoria de condições ambientais da Baía de Guanabara.

Como hoje em dia os meios de comunicação têm dado tanta ênfase ao combate de supostos assaltantes dos cofres públicos seria hora também de se investigar o que aconteceu com os 50 milhões de dólares dados pelo Japão para brasileiros cuidarem melhor da Baía de Guanabara.

Em tempo: circula informação extraoficial que os EUA e o Irã estariam mantendo conversações secretas para chegar a um acordo sobre a questão nuclear. Se for mesmo confirmada essa informação, o mundo sem dúvida se livrará de um perigoso foco de tensão. De qualquer forma, todo cuidado é pouco com o governo de Israel, que quer a todo custo agir militarmente contra o Irã.

(*) Vila Evo Morales, na fronteira da Bolívia com o Brasil, foi construída para abrigar gente que ficou sem terra e sem teto com a destruição provocada por incêndio de uma cidade próxima onde se encontra a vila.”