TERRAMÉRICA – Acidez oceânica confunde os moluscos

Um caranguejo em plena caça do
molusco loco (Concholepas concholepas)


Stephen Leahy, IPS / Envolverde

Quando o dióxido de carbono que os oceanos absorvem se dissolve na água marinha, surge o ácido carbônico e diminui a disponibilidade de carbonato, vital para a formação de partes duras de muitos organismos marinhos.

Monterey, Estados Unidos, 1 de outubro de 2012 (Terramérica).- A mudança climática alterará o olfato dos caracóis marinhos do Chile, que possibilita que fujam de seu arqui-inimigo, um caranguejo predador, afirmam cientistas desse país, que apresentaram suas descobertas em um simpósio nesta cidade californiana do oeste dos Estados Unidos. Pesquisadores da Austrália revelaram que, na medida em que os oceanos se acidificam, alguns peixes se tornam hiperativos, se confundem e se aproximam de seus predadores, em lugar de se afastar deles.

“As condições oceânicas estão mudando cem vezes mais rápido do que em qualquer outro momento do passado”, explicou ao Terramérica o pesquisador Jean-Pierre Gattuso, do Laboratório de Oceanografia de Villefranche, na França. As mudanças climáticas deixam os mares mais quentes e mais ácidos. “Estamos começando a entender o que ocorrerá. Creio que podemos esperar o pior”, advertiu.

Gattuso é um dos quase 600 cientistas de todo o mundo que apresentaram suas pesquisas entre 24 e 27 de setembro no terceiro simpósio The Ocean in a High-CO2 World: Ocean Acidification (O Oceano em um Mundo com Elevado Dióxido de Carbono: a Acidificação Oceânica). Há apenas uma década, a ciência descobriu que a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) deixa as águas dos oceanos 30% mais ácidas do que no começo da Revolução Industrial.

Os oceanos absorvem um terço do dióxido de carbono (CO2) derivado de atividades humanas. Quando o CO2 se dissolve na água do mar, forma-se o ácido carbônico. Este fenômeno, conhecido como acidificação oceânica, reduz a disponibilidade de carbonato, tornando mais difícil a formação de partes duras de muitos organismos marinhos, que para isso necessitam de carbonato de cálcio. A combinação de maior acidez e menor concentração de carbonato na água também tem consequências nas funções fisiológicas de numerosos seres vivos. Isto é química oceânica básica e irrefutável.”
Foto: Patricio Marínquez
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