TERRAMÉRICA – Esperança para tartarugas marinhas

Uma tartaruguinha-oliva, observada e
fotografada em seu esforçado
caminho até o mar


“Desde 2009 vigora em El Salvador uma proibição total ao aproveitamento de ovos, carne, óleo, ossos, carcaça e inclusive exemplares dessecados de tartarugas marinhas.

Edgardo Ayala, IPS / Envolverde

Um rincão escondido do Oceano Pacífico, a salvadorenha Baía de Jiquilisco, está se convertendo em um paraíso de quelônios ameaçados. “Os moradores dizem que era uma onda de dez metros de altura, que arrasou com tudo”, diz o ecologista Emilio León sobre um sismo na costa pacífica, cuja onda destruiu vários viveiros com 45 mil ovos de tartaruga, no dia 26 de agosto.

O maior dano aconteceu na Ilha de Méndez, sul do departamento de Usulután, na Baía de Jiquilisco, lugar favorito de desova das quatro espécies que visitam El Salvador: de pente (Eretmochelys imbricata), de couro (Dermochelis coriacea), oliva (Lepidochelys olivacea) e verde (Chelonia mydas agassizii). Os criadouros destruídos na Ilha de Méndez estão a cargo da não governamental Fundação Zoológica de El Salvador (Funzel). Pela importância da Baía de Jiquilisco para as tartarugas, várias organizações ambientalistas mantêm projetos de conservação ali.

“Contra a força da natureza nada podemos fazer, a não ser continuar trabalhando para levantar o que foi destruído”, disse León, diretor do Programa de Conservação da Tartaruga Marinha da Funzel. O tremor, de 6,7 graus na escala Richter, foi pouco percebido pela população, mas jogou por terra meses de trabalho para preservar as quatro espécies, todas em risco de extinção. Nas atividades conservacionistas participam autoridades, entidades ambientalistas nacionais e estrangeiras, e os pescadores da área, que mantêm incubadoras de ovos de tartaruga e concebem mecanismos para que as comunidades se envolvam em seu cuidado.

“Ali se vê uma”, disse Obed Rodríguez em sua pequena lancha no meio do mar, apontando a cabeça de uma tartaruga-de-pente que emerge das águas. O animal se deixa ver por completo durante alguns segundos e submerge novamente. O pescador faz parte da equipe que desde maio desenvolve um programa de cuidado de ovos, patrocinado pela Iniciativa Carey do Pacífico Oriental (Icapo), um projeto regional com sede nos Estados Unidos para pesquisar e proteger as populações da espécie nesta região do oceano. “Esta é a zona onde as de pente fazem seus ninhos, e não é raro vê-las nadando”, contou ao Terramérica.”
Foto: Luis Romero/IPS
Matéria Completa, ::AQUI::

Nenhum comentário: