“Agricultura familiar é a chave para eliminar a fome”


Marianela Jarroud, IPS / Envolverde

“A erradicação da fome não é uma utopia, mas uma meta perfeitamente possível”, e para isso se deve potencializar a agricultura familiar, sem se esquecer os setores mais vulneráveis como as populações indígenas e as mulheres, afirma o economista argentino Raúl Benítez.

O mercado “não deve ser o único regulador do preço dos alimentos”, opinou Benítez em entrevista à IPS, duas semanas após ter assumido como diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe. Por isto, o Estado deve ter uma presença efetiva, para poder “corrigir as distorções ou os problemas de inclusão que o mercado gera”, acrescentou, considerando as incertezas geradas pela crise econômico-financeira global com epicentro na Europa.

IPS: O que se deve fazer para que a inflação dos alimentos, empurrada pelo aumento dos preços internacionais, não mine a economia dos países da região e joguem por terra os avanços conseguidos?

RAÚL BENÍTEZ: Observamos nos últimos meses uma queda no preço dos produtos da cesta alimentícia. Quando se analisa as cadeias de produção, se percebe que não necessariamente uma queda nos preços primários terá repercussão em uma redução dos preços nos supermercados, e vice-versa. Então, no que temos de trabalhar todos os países da região é em tornar mais eficiente esta cadeia, de tal modo que os produtores possam receber melhores preços e o consumidor pagar menos.

IPS: Acredita que o mercado deve ser o único regulador do preço dos alimentos?

RB: Definitivamente, não. O mercado é uma ferramenta da economia, e creio que é válido nos apoiar nesta ferramenta que é muito forte, poderosa e útil. Agora, o que não temos que esperar é que resolva todos os problemas. O que se quer é que o mercado esteja acompanhado por uma forte ação do Estado que nos permita corrigir as distorções ou os problemas de inclusão que o próprio mercado gera. É uma falsa contradição dizer Estado ou mercado. Considero compatível, perfeitamente, uma economia de mercado, mas com um Estado forte, resolvendo as assimetrias que o mercado produz ou as falhas que existem, usando políticas inclusivas.

IPS: Como avalia a iniciativa América Latina Sem Fome?

RB: É um tema muito forte que nos marca como uma região diferente, que não envolve apenas os poderes executivos, mas também os parlamentos. Está claro que ainda precisamos trabalhar muito mais, que estamos longe de alcançar a meta de erradicar a fome na região, mas é possível. Temos que propor aos governos e às sociedades e impulsionar para que este seja um tema permanente da agenda política. Houve avanços notáveis. O que se está fazendo é ir juntando vontades em favor desta possibilidade de erradicar a fome, e, portanto, em algum momento isso vai decantar em ações mais contundentes por parte dos países.”
Entrevista Completa, ::AQUI::

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