A ruptura necessária para outra economia

Mais riqueza material, como simbolizam os fartos aumentos do PIB chinês (na foto, noite no centro financeiro de Shenzheng) não garante todo bem-estar

 José Eli da Veiga, Valor

“Pela definição original, economia verde é a que pode gerar um simultâneo triplo dividendo: melhoria do bem-estar e redução das desigualdades sem aumento da pegada ecológica. Foi com essa enxuta fórmula que, há mais de dois anos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) propôs o tema que acabou se transformando na principal controvérsia da Rio+20.

O processo preparatório, em que se engalfinham há sete meses os heterogêneos blocos geopolíticos das 193 nações, resultou em completo desmanche da noção inicial. O documento "O Futuro que queremos", na versão de 80 páginas que foi submetida à terceira rodada, consolidou censura à ideia de igualdade social, substituída pelo mantra da mais irrestrita fé no crescimento econômico.

Foi assim que dobrou a lista de virtudes da economia verde, apesar do desaparecimento da redução das desigualdades. Agora ela tem meia dúzia de benefícios, na seguinte ordem: erradicação da pobreza, crescimento econômico, inclusão social, bem-estar, emprego, trabalho decente e - antes tarde do que nunca - funcionamento saudável dos ecossistemas.

O mais irônico é que esse tiro acabou por sair pela culatra justamente dos que mais trabalharam pelo desmanche. A oposição política ao slogan proposto em 2010 pelo Pnuma se concentrou em apresentar a economia verde como a mais sofisticada das maldades conspirativas do Norte contra a prosperidade do Sul. Num quixotismo que enxerga no qualificativo "verde" quatro moinhos de vento. Ele marginalizaria objetivos sociais, diminuindo a importância e a urgência do direito ao desenvolvimento; induziria discriminação a importações provenientes do Sul; favoreceria indesejáveis condicionalidades nos arranjos de assistência ao desenvolvimento; e, como qualquer outra abordagem unívoca, faria com que os dois mundos fossem avaliados com uma mesma régua, contrariando o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas.”
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