Viver em um planeta e meio

Sam Smith, Jim Leape e Stuart Orr
na apresentação do
Livint Planet Report 2012, em Genebra

Isolda Agazzi, IPS (Inter Press Service) / Envolverde

“Um informe do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) alerta para uma significativa redução da biodiversidade, em particular nos países pobres, e sobre um enorme aumento na pegada ecológica das nações ricas. O Living Planet Report (Relatório Planeta Vivo) foi apresentado em Genebra com vistas à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 13 a 22 de junho, no Brasil. O estudo exorta o mundo a modificar seus padrões de produção e consumo, bem como a desenvolver as energias renováveis.

“Em termos gerais, a biodiversidade caiu 28% no mundo desde 1970. Mas nos países de baixa renda a perda é particularmente importante, pois chega a 60%”, afirmou Jim Leape, diretor-geral do WWF, ao apresentar o informe. “O esgotamento dos sistemas naturais está prejudicando mais os países que menos têm condições de enfrentá-lo”, ressaltou. A publicação mais importante dessa prestigiosa organização ambientalista, divulgada a cada dois anos, foca na biodiversidade de todo o mundo e na pegada ecológica da humanidade, ou seja, na pressão que esta exerce sobre a terra e a água.

O aumento deste último foi enorme desde 1961. “Usamos 50% mais recursos do que a Terra pode suportar. Hoje vivemos como se tivéssemos um planeta e meio. Se continuarmos assim, até 2050 precisaremos de três planetas. Nosso padrão de consumo é insustentável”, alertou Leap. Em média, os países de alta renda têm uma pegada ecológica que quintuplica a das nações de baixa renda. Os dez Estados com maior pegada ecológica por pessoa são Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda.

O informe foi divulgado faltando cinco semanas para começar a Rio+20, que avaliará os avanços no cumprimento dos compromissos assumidos há duas décadas na primeira Cúpula da Terra. “É um momento importante para olhar o que ocorre sobre a Terra”, observou Leape. “Existem propostas para estabelecer Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e de agregar indicadores sociais e ecológicos ao produto interno bruto”, acrescentou.

“O mercado continua enviando sinais equivocados, porque muitos custos não são incluídos no sistema de preços. Os preços deveriam dizer a verdade. Os governos devem eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis e se comprometer em proporcionar acesso a energia limpa para todos”, apontou Leape. Diante da pergunta sobre se a economia verde, principal tema da Rio+20, é a solução correta, Leape disse à IPS que “o desafio central é resolver como passar para ela”.
Foto: Isolda Agazzi/IPS
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