“O desenvolvimento sustentável deve partir do consumo para produção”


Amanda Pinheiro, do EcoD / Envolverde

“Grandes concentrações urbanas utilizam cerca de 75% do total de energia produzida no mundo. A essas metrópoles, José Luiz Alquéres dá o nome de “energívoras”. Ex-presidente da Light e atual presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, ele defende um uso mais racional da energia, por motivos ambientais, mais principalmente econômicos. Nesta entrevista, Alquéres falou sobre energia limpa, economia verde, cidades sustentáveis e Rio+20. Da conferência, não espera nenhuma grande definição global, apenas sugestões para políticas mais sustentáveis em um futuro próximo.

A Rio+20 é apresentada como o fórum que deverá pautar uma agenda de desenvolvimento sustentável e definir diretrizes políticas para os próximos anos, na qual será necessária a transição para um novo modelo de economia, chamado “economia verde”. Qual a sua expectativa para o evento?

José Luiz Alquéres: Como toda reunião com ampla audiência, o nível de generalidade das recomendações tende a ser muito alto, mais ainda quando o tema não encontra muita convergência e alguns países se colocam para tentar, de alguma forma, se apresentarem “sob luzes favoráveis” para a audiência mundial.

Espero apenas que contribua para o aumento de conscientização em relação ao tema. As sugestões de gente qualificada, sociedade civil e prêmios Nobel a chefes de estado serão um aspecto a se considerar. Melhor ainda se encontrarem eco e puderem virar argumento eleitoral nos grandes países, aumentando as chances de virem a ser praticadas.

Essas sugestões, que espero que alimentem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, deverão se constituir nos guidelines para as ações posteriores. A questão de transformar o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) em um conselho pode ser um avanço, mas, tendo em vista a inoperância e poucos resultados objetivos de grande parte da cara estrutura da ONU, acho que será um resultado pífio caso se limite a isso.

Às vésperas da Rio+20, o termo ‘Economia Verde’ se tornou bastante controverso. Entidades da sociedade civil acusam empresas e governo de terem se apropriado do termo numa estratégia de embalar o jeito tradicional de fazer negócios numa roupagem verde. Como o senhor analisa esse ponto de vista?

Este tipo de discussão ou de acusação é improdutiva. Nem governo, nem empresas, nem organizações do terceiro setor podem se vangloriar de resultados objetivos, que é o que faz diferença. Todos têm que repensar sua atuação e tentar agir de forma cooperativa em vez de viverem em conflito até mesmo por causa de terminologias.
“Há que se diferenciar os preços dos bens e serviços pelo seu poder negativo ao meio ambiente: quanto mais comprometedor, mais caro deve ser o imposto para desestimular o consumo.”
Foto: Ideia Sustentável.
Entrevista Completa, ::Aqui::

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