Código florestal vai de mal a Piau


Guilherme C. Delgado, Correio da Cidadania

“Os mais antigos leitores da cobertura internacional da imprensa lembram da sucessão de Mao Tsé Tung na China de meados dos anos 70 do século passado, cujo principal candidato (Lin Piao, ministro da Defesa e amigo da viúva de Mao), disputou e perdeu a luta interna no PC Chinês para o grupo liderado por Deng Xiaoping. Este conseguiu vencer a luta interna, o que significou uma reorientação dos rumos políticos e econômicos da China, que de certa forma vigoraram desde então até o presente. Mas na época em que a disputa pela liderança ainda estava indefinida, a mídia de língua portuguesa cunhou a expressão “a China vai de Mao a Piao”, prognosticando um endurecimento do regime. Não obstante, o desfecho histórico foi outro e Piao teve destino ao ostracismo e anonimato completos. E aqui vai o ponto que nos interessa recuperar no debate do Código Florestal atual: o impasse político e os aspectos éticos da questão, trocadilhos e brincadeiras à parte.

As questões em pauta na discussão do Código Florestal são aparentemente muito técnicas e setoriais, insuscetíveis de mobilizar mentes e corações para a luta política geral. Mas afetam profundamente as condições de vida da sociedade inteira, especialmente dos mais pobres, que são as vítimas preferenciais dos novos e velhos riscos ambientais suscitados pelas decisões ora em disputa. Daí que transparece cada vez mais necessário decifrar e traduzir a linguagem, eivada de tecnicismos, no interior dos quais se escondem interesses ideológicos poderosos e perigosos.

No caso do Código temos um pequeno benefício comunicativo: longa permanência na pauta do Congresso e também da mídia, aliado a uma certa cisão entre ruralistas, ambientalistas e governo, de sorte a propiciar o debate público dessas divergências e principalmente o discernimento dos aspectos ético-políticos em disputa. Em suma, a sociedade tem acompanhado como se forja “o interesse geral” ou o “bem comum” no debate do assunto, que, para desespero de uma gama de políticos profissionais, é completamente estranho à política que praticam.”
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