TERRAMÉRICA – Perdas diante de tempestades extraordinárias


“Devido às inundações, Buenos Aires sofrerá perdas imobiliárias de aproximadamente US$ 80 milhões anuais em 2030 e de US$ 300 milhões ao ano em 2050.

Marcela Valente, IPS / Envolverde

Os 18 mortos, vítimas de uma tempestade que caiu sobre Buenos Aires, foram uma trágica mostra da imprevisão diante dos eventos meteorológicos cada vez mais poderosos e habituais na capital argentina e seus subúrbios. “A Argentina deveria estar adaptada a tempestades severas porque sempre as enfrentou. O que está se acelerando agora é a intensidade e a frequência das chuvas”, disse ao Terramérica a meteorologista Carolina Vera.

Além das vítimas mortais, o temporal do dia 4 deste mês colocou em situação de emergência 32 mil famílias de bairros vulneráveis, provocou danos parciais ou totais em mais de 200 escolas, deixou sem luz e sem água centenas de milhares de pessoas e derrubou 40 mil árvores. “Em nosso bairro morreram dois meninos. Uma árvore caiu sobre um de 13 anos e uma parede desabou sobre um adolescente”, contou ao Terramérica o padre Lorenzo De Vedia, de uma localidade precária do sul da capital.

Este bairro, Villa 21-24 de Barracas, foi um dos mais afetados. “Voaram os tetos, colchões ficaram molhados. São coisas da pobreza estrutural na qual eles vivem”, acrescentou o padre. O distrito da capital, a Cidade Autônoma de Buenos Aires, e sua área metropolitana somam uma superfície de 3.833 quilômetros quadrados onde vivem 12,8 milhões de pessoas, segundo o censo de 2010. A tempestade caiu bruscamente, com chuva abundante, granizo e ventos de quase cem quilômetros por hora em algumas áreas do oeste e sul da cidade e seus arredores.

Os registros mais precisos e contínuos que a Argentina possui são de chuvas e datam de mais de um século. Estes estudos “mostram uma tendência ao aumento da abundância e da frequência de chuvas”, alertou Carolina. Há uma variabilidade natural da atmosfera que pode gerar este tipo de tempestade por si só, mas neste caso “há algumas evidências de que estaria associada à mudança climática”, explicou.”
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