Planejamento agrícola para salvar as árvores


Diante da dificuldade de colocar em prática o REDD, cientistas, ambientalistas e indústrias estão expandindo o foco da preservação para levar em conta questões como o manejo da terra e o direito dos trabalhadores rurais

Jeff Tollefson, Nature / Carbono Brasil

O principio é sedutoramente simples: para reduzir as emissões de carbono, basta deixar as florestas tropicais de pé. Porém, uma abordagem amplamente divulgada, nas quais os países ricos pagariam os mais pobres para manter suas florestas intactas, se mostrou mais difícil de executar do que muitos haviam esperado. Agora, um consórcio de cientistas, ambientalistas e indústrias está expandindo o foco de preservar florestas para enfrentar os maiores causadores do desmatamento: a agricultura.

A iniciativa florestal das Nações Unidas – conhecida como REDD, para Reduzir Emissões causadas pelo Desmatamento e pela Degradação Florestal – foi originalmente vista como uma maneira de alterar fronteiras econômicas por meio de conectar o valor monetário a florestas de pé, que envolvem o dióxido de carbono e estabilizar o clima. Pagamentos de carbono facilitariam aos proprietários de terra o sustento sem precisar desmatar mais terras. Porém, apesar dos anos de negociação e dos bilhões de dólares em compromissos, pouco dinheiro tem sido encaminhado para aqueles que vivem e trabalham na fronteira florestal. O dinheiro tem sido movimentado principalmente no âmbito do governo, diz Daniel Nepstad, um ecologista americano que presidia os programas internacionais para o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), sediado em Brasília. Como resultado, ele afirma, o ceticismo está crescendo entre aqueles que deveriam ser os maiores beneficiados.

Nepstad e outros envolvidos no mais recente esforço REDD, enxergam potencial para um progresso mais eficiente ao unir iniciativas REDD com uma série de “debates sobre commodities”, os quais unem empresas multinacionais - como a produtora de bebidas PepsiCo, a gigante da biotecnia agrícola Monsanto e a varejista Walmart - a produtores e ambientalistas para que, juntos, possam negociar padrões de certificação ambiental para produtos como sementes de soja, óleo de palma, cana-de-açúcar e carne. Esses padrões discutiriam desde o manejo do solo até os direitos dos trabalhadores, e incluiriam limites para o desmatamento. A ideia é que produtores que se juntam ao movimento e implementam as melhores práticas poderão aumentar a produtividade, comandar um preço mais alto para os seus produtos e pressionar os competidores para que elevem os seus próprios padrões. “A REDD se tornou negativamente carregada”, disse Nepstad. “Ao mesmo tempo em que está caminhando pra frente de modo mais eficiente, está caminhando junto a estratégias de desenvolvimento rural”.
Matéria Completa, ::Aqui::

Nenhum comentário: