Internet: travando inovação?…


Silvio Meira, Terra Magazine / dia a dia, bit a bit

“Neal stephenson é autor de ficção científica. ou melhor, ele escreve sobre uma realidade quase presente. deve-se ler quase, aqui, de pelo menos três maneiras: no tempo [está pra chegar], na geografia [qualquer dia destes estará na sua] e na experiência [estamos para viver o que ele descreve a qualquer momento]. o meu predileto ainda é SNOW CRASH [e o metaverse, de 1992, inspiração até para google earth, segundo uns] mas REAMDE, de 2011, quase mil páginas de mundo virtual e concreto se interpenetrando agora, no nosso tempo, sempre faz pensar e repensar as possibilidades de transação entre o abstrato e o concreto. e em muito mais cenários do que as interações entre o que se convenciona rotular "realidade" e T’Rain, o MMORPG que causa, e onde se passa, boa parte da ação do livro.


Entrevistado recentemente para technology review, stephenson revelou sua preocupação com a falta, hoje, de "grandes ideias" e expectativas, como as que levaram ao [e derivaram do] programa espacial americano. e o “culpado”, por um lado, seria a internet. segundo ele, o impacto da rede é tamanho que a humanidade corre o risco de ficar nela e suas consequências por uma geração inteira, digerindo suas oportunidades, tecnologias, usos, riscos, problemas… e por aí vai. por outro lado, stephenson acha que muito pouco de verdadeiramente revolucionário está sendo tentado agora, pois se espera por alguma nova tecnologia [ou resultado científico] que possibilite um avanço de porte, para um novo estado de coisas.

E há o contexto social e econômico a considerar: stephenson diz [e é verdade] que a indústria espacial não consegue mudar de patamar porque as seguradoras não conseguem propor modelos alternativos para operações de  risco desconhecido. nos negócios da rede, isso tem [e é feito em] "rede": empreendedores, startups, angels, VCs, etc. nos outros negócios, não é tão fácil, especialmente quando o custo de fazer o beta [como lançar um foguete] está na região do bilhão de dólares. vai ver, a rede tem algo a dizer sobre isso também, nem que seja financiar os projetos: elon musk, fundador de payPal, é o cara por trás da spaceX, que tem por plano trazer o "preço do quilo em órbita" de cerca de dez mil para perto de mil dólares. se der certo, é um feito. diminuir o valor de quantidades físicas em uma ordem de magnitude em uma ou duas décadas é coisa do outro mundo.”
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