Estudos ligam sumiço de abelhas ao uso de pesticidas


Pesquisadores acreditam que o declínio no número de abelhas que vem ocorrendo por todo o mundo pode estar relacionado à popularização de inseticidas neonicotinoides, amplamente utilizados nos últimos 20 anos

Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil

As abelhas são muito importantes para a polinização de diversas espécies de plantas, algumas essenciais para os seres humanos. Estima-se que, só nos Estados Unidos, a polinização apícola tenha o valor de US$ 8 a 12 bilhões, e, segundo o Departamento de Agricultura norte-americano, “cerca de um terço da [nossa] dieta é direta ou indiretamente beneficiada pela polinização das abelhas”.

Por essa razão, o declínio no número de abelhas que vem ocorrendo nos últimos anos por todo o mundo preocupa cientistas, que buscam descobrir a razão da diminuição das populações. Entre os fatores considerados, estão doenças, parasitas, perda de habitat e alimentos e o uso de pesticidas, mas não há consenso sobre o que tem causado essa redução.

“Algumas espécies de abelhas diminuíram enormemente. Por exemplo, na América do Norte, muitas espécies, que costumavam ser comuns, mais ou menos desapareceram do continente inteiro. No Reino Unido, três espécies foram extintas”, comentou Dave Goulson, da Universidade de Stirling.

Na última semana, no entanto, foram lançados dois estudos que indicam que a diminuição no número de abelhas e colmeias pode estar relacionada ao uso de pesticidas. Ambos os estudos utilizaram em seus testes inseticidas neonicotinoides, um pesticida que se tornou muito popular e amplamente usado a partir da década de 1990.

“O uso de pesticidas é tão disseminado que a maioria das colônias de abelhas em áreas de fazendas aráveis provavelmente está exposta a eles, então há potencial para que eles estejam tendo um papel significativo na supressão das populações de abelhas em uma escala bastante surpreendente”, observou Goulson, coautor da pesquisa inglesa.

O estudo francês analisou a relação entre o inseticida tiametoxame e a abelha-europeia (Apis mellifera), e descobriu que o pesticida tem uma ação no mecanismo de navegação dos animais, que os permite sair da colmeia para buscar alimento e depois voltar para o grupo.

Na primeira parte da pesquisa, foram colocados transmissores nas abelhas para rastreá-las e parte dos animais foi submetida a uma dieta com tiametoxame, enquanto a outra parte foi alimentada normalmente. O resultado mostrou que as abelhas nutridas com a dieta com tiametoxame tinham duas a três vezes mais chance de se perderem e não voltarem à colmeia do que as que não haviam sido expostas ao pesticida.”
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Um comentário:

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