O impasse no G-20 que tornou a economia mundial ingovernável


Um agudo conflito interno paralisou o G-20 depois após a reunião de Toronto no primeiro semestre de 2010: a corrente chefiada por Obama, com apoio da China, fracassou na proposta de manutenção dos programas de estímulo que haviam funcionado em 2009. Do outro lado estava Merkel, da Alemanha, com sua obsessão contra déficits públicos e o conforto político de ter aliados à direita do porte de Sarkozy e Cameron, além de instituições como FMI e BCE. O artigo é de J. Carlos de Assis.

 J. Carlos de Assis, Carta Maior

Desde que os Estados Unidos perderam a posição de potência hegemônica no campo econômico, e isto é um fato, o sistema mundial segue à deriva no meio da crise atual, na expectativa de que um grande acordo no âmbito do G-20 favoreça a recuperação e estabilização das economias industrializadas avançadas. Isso não é impossível porque o G-20 representa 90% da economia e da população do mundo, e tendo um número relativamente reduzido de participantes pode, em tese, combinar representatividade e operacionalidade.

Infelizmente, não é o que tem acontecido na prática. A grande imprensa, por razões ideológicas ou por pura ignorância, não consegue passar para as sociedades os motivos pelos quais o G-20 não é capaz de funcionar, tornando-se pouco mais que um clube de diversão cultural. Um agudo conflito interno paralisou o G-20 depois da reunião de Toronto no primeiro semestre de 2010: a corrente chefiada por Obama, com apoio da China, fracassou na proposta de manutenção dos programas de estímulo que certamente haviam funcionado em 2009.

Do outro lado estava Merkel, da Alemanha. Com sua obsessão contra déficits públicos e o conforto político de ter aliados à direita do porte de Sarkozy e Cameron (que havia desalojado os trabalhistas do poder na Inglaterra), além de instituições internacionais conservadoras como FMI e BCE, impôs com facilidade aos países do euro, sob o mantra de “exit strategy” – ou seja, estratégias de saída das políticas de estímulo -, um forte e sem precedentes programa de ajuste fiscal, iniciado com o virtual estrangulamento financeiro e social da Grécia, da Irlanda e de Portugal, pondo na fila Espanha e Itália.

Para se entender a política inicialmente defendida por Obama e a política finalmente imposta pela Alemanha, basta considerar que estímulo fiscal possibilita (embora nem sempre garanta) transferência de renda de rico para pobre, enquanto política de ajuste, e política de estímulo monetária garantem absolutamente transferência de renda e de patrimônios de pobres para ricos, isso em plena recessão.”
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