Fábio de Castro, Agência FAPESP
“As toxinas produzidas por animais
venenosos contêm compostos que podem ser aproveitados no desenvolvimento de uma
ampla gama de fármacos e inseticidas. Mas, para que isso seja possível, é
preciso identificar compostos de interesse, desvendar suas estruturas
moleculares, realizar a síntese das moléculas em laboratório e, por fim,
realizar testes clínicos.
Durante quatro anos, um grupo de
pesquisadores se dedicou à identificação e elucidação da estrutura molecular de
cerca de 200 peptídeos e proteínas, além de 140 pequenas moléculas encontradas
no veneno de diferentes grupos de aranhas, vespas e outros artrópodes venenosos
do Brasil.
Realizado no âmbito do programa BIOTA-FAPESP,
o Projeto Temático "Procura de compostos líderes para o desenvolvimento
racional de novos fármacos e pesticidas a partir da bioprospecção da fauna de
artrópodes brasileiros", financiado pela FAPESP, foi coordenado por
Mario Sergio Palma, professor do Instituto de Biociências da Universidade
Estadual Paulista (Unesp), em
Rio Claro (SP).
De acordo com Palma, além de prospectar
novas moléculas, os cientistas envolvidos com o projeto aprofundaram estudos
dos mecanismos de ação das toxinas e ganharam experiência com novas técnicas de
síntese de peptídeos e de pequenas moléculas.
“Além dos resultados de pesquisa
extremamente positivos, o projeto possibilitou a montagem de uma unidade de
síntese de peptídeos, produziu 10 teses de doutorado, 13 dissertações de
mestrado e teve a participação de seis pós-doutorandos e 14 bolsistas de
iniciação científica”, disse à Agência
FAPESP.
Segundo Palma, que é químico de formação, o
trabalhou realizado pelo grupo, por ser essencialmente multidisciplinar, exigiu
o constante estabelecimento de parcerias com pesquisadores de áreas como
fisiologia e farmacologia. Embora envolvesse apenas dois grupos permanentes –
da Unesp em Rio Claro
e Rio Preto –, com quatro pesquisadores seniores, o grupo criou tentáculos em
diversas áreas e instituições.”
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