Cérebros tornados mais jovens

Carlos Eduardo Lins da Silva, Agência FAPESP

“Características boas e ruins da mente de recém-nascidos, que até pouco tempo atrás eram consideradas como enclausuradas naquela fase da vida sem retorno possível, podem ser retomadas mais tarde, segundo pesquisas apresentadas durante a conferência anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS), que terminou no dia 20 de fevereiro, em Vancouver, Canadá.

Por meio do uso de medicamentos ou intervenções comportamentais, tais estudos sugerem que janelas de aprendizado que – julgava-se – se fecham definitivamente a partir de certa idade podem ser “reabertas”. Enfermidades adquiridas enquanto recém-nascido, e que pareciam incuráveis, também podem ser curadas.

Takao Hensch, neurologista e professor da Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, um dos que apresentaram trabalhos sobre esse tema na reunião, resume assim a questão: “Trata-se de tornar cérebros velhos jovens de novo”. Suas experiências com ratos se focam em moléculas e na química cerebrais que ajudam a abrir ou fechar essas janelas.

Há sérios riscos envolvidos no processo, no entanto, como o próprio Hensch admite, já que alguns desses procedimentos podem ocasionar danos psiquiátricos ou psicológicos, o que fará com que ainda leve tempo para começarem testes com seres humanos.

No entanto, seu trabalho e de outros tem ajudado a aumentar a compreensão de como o cérebro, especialmente na primeira infância, funciona, em particular a sua plasticidade, ou seja, como ele se alinha e realinha pela formação de novas conexões entre neurônios, ao responder aos estímulos que recebe do ambiente.

O aprofundamento dessas pesquisas pode fazer com que cientistas descubram como intervir para ajudar a melhorar o desenvolvimento e o aprendizado das crianças, bem como fazer com que o cérebro de pessoas recupere parte da plasticidade que tinha no começo da vida.”
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