A insustentável deficiência política do ambientalismo


Análise de Mario Osava, IPS / Envolverde

“O movimento ambientalista ganhou a batalha ideológica com a ampliação do conhecimento sobre a mudança climática. Seus ativistas já não são os “louquinhos” ou “incomodados” do passado: o isolamento agora cabe aos céticos ou aos que negam o aquecimento global pela ação humana. Os eventos extremos, cada vez mais frequentes, e o aumento do nível das águas dos oceanos contribuíram para considerar seriamente as advertências, que no passado recente eram respondidas de modo irônico ou simplesmente subestimadas.

A sustentabilidade se incorporou inclusive ao vocabulário empresarial, e as campanhas e os consumidores induzem certos setores produtivos a assinarem acordos de boa conduta ambiental e social, como compromissos para rejeitar madeira ou carne produzidas à custa do desmatamento da Amazônia. Entretanto, essa legitimidade científica das propostas ambientalistas não se transforma em força política na hora das grandes decisões, por exemplo, nas conferências que tentam estabelecer um tratado mundial para conter o aquecimento da Terra.

O consenso, já praticamente alcançado, de que nosso planeta caminha para um catastrófico destino se não forem tomadas medidas urgentes, não conta com o correspondente poder político para impulsionar ações consideradas indispensáveis para reduzir as emissões dos gases que provocam o chamado efeito estufa. O empurrão obtido na década de 1990 com a Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, aprovada na Cúpula do Rio de 1992, e o Protocolo de Kyoto, assinado cinco anos depois nessa cidade japonesa, parece perdido, embora se tenha acumulado e difundido mais conhecimentos sobre a ameaça de hecatombe humana.

A crise ambiental é um dos desafios que colocam em xeque a sobrevivência da democracia neste século, segundo um grupo de intelectuais que o instituto Internacional de Pesquisa Política de Civilização (IIRPC) reúne periodicamente em Poitiers, na França, para discutir grandes temas da humanidade. Os regimes democráticos não parecem capazes de enfrentar a mudança climática, porque o caráter temporário da dinâmica política é de curto prazo, enquanto a ambiental se conta em décadas, resumiu Elimar Pinheiro do Nascimento, diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília e participante dos seminários em Poitiers.”
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