Agência Brasil
“A Conferência das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), agendada para junho no Rio de Janeiro,
deveria ser uma reunião altamente importante, mas há riscos de que esse cenário
não se torne realidade. A avaliação é do sociólogo Emir Sader.
Durante visita a Porto Alegre para
participar do Fórum Social Temático 2012 (FST), hoje (25), ele avaliou que um
dos principais aspectos que coloca a importância do encontro em jogo é a crise
econômica global. Os países desenvolvidos, segundo Sader, não vão querer fazer
concessões ecológicas para não diminuir a competitividade.
“É uma batalha fundamental da humanidade,
mas é uma batalha em que nós assopramos contra o vendaval, contra os países do
centro [do capitalismo], que não mostraram disposição em cumprir os
compromissos estabelecidos há 20 anos”, disse.
Na avaliação do sociólogo, os países ricos
enfrentam um círculo vicioso de reagir à recessão e à crise com mais cortes e,
portanto, com mais recessão, em uma espécie de “armadilha” armada para os
países pobres e em desenvolvimento, mas que se virou contra eles.
Para Sader, o fator que mais preocupa, no
momento, são as taxas de desemprego em todo o mundo. Segundo ele, mais de 80
milhões de pessoas perderam o emprego e a expectativa é que esse número chegue
a 200 milhões de desempregados. “Isso recai, sobretudo, sobre os setores mais
pobres, os trabalhadores imigrantes, com menor proteção social, em países como
os Estados Unidos, a França, a Espanha e a Inglaterra”.
O sociólogo acredita que o Brasil,
juntamente com outros países da América Latina, pode contribuir para reverter o
cenário atual difundindo o modelo de desenvolvimento econômico com distribuição
de renda, com expansão do mercado interno de consumo popular, com integração
Sul-Sul e com intercâmbio econômico.
“Acho que o tema central do fórum e para o
mundo é como superar o neoliberalismo, como construir uma sociedade
pós-neoliberal, justa, humana e solidária. A quantas a gente anda,
especialmente, tem que ser um tema latino-americano – que passos nós demos, que
obstáculos temos ainda pela frente e de que maneira podemos enfrentar
conjuntamente e propor alternativas para continentes que vivem em situações
dramáticas como a África e parte da Ásia”, concluiu.”


0 comentários:
Postar um comentário