“Aumento da demanda, contaminação e redução
da recarga são alguns dos problemas que as mudanças climáticas podem trazer aos
aquíferos subterrâneos nas próximas décadas, o que afetaria diretamente cerca
de 150 milhões de pessoas
Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil
Quando se trata de mudanças climáticas,
sabemos que uma das consequências do fenômeno é a alteração da precipitação de
chuvas e o aumento ou diminuição do fluxo dos rios. Mas quase nunca paramos
para pensar que os aquíferos subterrâneos, algumas das principais fontes de
abastecimento hídrico, também poderão ser fortemente impactados pelas mudanças
climáticas.
Por isso, durante o I Congresso
Internacional “O futuro da água no Mercosul”, que aconteceu no início de
novembro em Florianópolis, especialistas em recursos hídricos se reuniram para
debater os efeitos das mudanças climáticas nos mananciais de água da América do
Sul, sobretudo nos aquíferos subterrâneos.
Segundo o geólogo Ricardo Hirata, professor
do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos
palestrantes, atualmente dois bilhões de pessoas no mundo dependem de águas
subterrâneas, das quais os aquíferos são a principal fonte.
E caso os efeitos das mudanças climáticas
atinjam estes aquíferos, até o final do século entre 60 e 150 milhões de
pessoas serão afetadas diretamente pela falta de recursos hídricos
subterrâneos, explicou Luis Filipe Tavares Ribeiro, professor do Instituto
Superior Técnico de Lisboa, que também foi palestrante no encontro.”
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