Os grous já não passam, ficam


“A permanência dos grous no outono mais quente da Alemanha está causando prejuízo a camponeses locais e conflitos com ecologistas.

Julio Godoy, TERRAMÉRICA / Envolverde

Os grous, aves cujo peregrinar pelos céus da Europa marca a chegada do outono e da primavera boreais, estão mudando seus hábitos migratórios e ficam mais tempo no norte, tanto quanto o frio demora para chegar. A temperatura média de novembro este ano foi de 5ºC na Alemanha, um grau acima da média habitual para este mês. Algumas vezes, ao meio-dia, o termômetro chegou a 20 graus, o que explica as aves migratórias preferirem passar o outono e o começo do inverno em terras alemãs.

É o caso do grou comum (Grus grus), que até há alguns anos costumava emigrar em setembro desde seu habitat da primavera e do verão europeus, na Finlândia, Suécia e Rússia, para o sul, na Espanha, e inclusive até a região do Sahel, no norte da África. Mas a mudança climática está alterando as migrações naturais. Diante das temperaturas relativamente altas que o norte da Alemanha registra nos últimos anos, em particular no Estado federal de Brandenburgo, dezenas de milhares de grous retardam sua partida por quase dois meses.

O fenômeno provoca conflitos entre os camponeses da região – que veem seus campos ocupados pelas aves e seus povoados invadidos por milhares de turistas que chegam para fotografá-las – e organizações ambientalistas, que buscam otimizar as condições locais para abrigar os grous sedentários. Há três décadas, “algumas centenas de grous passavam um par de semanas em nossa região”, contou Hans Wagner, um idoso camponês que passou toda sua vida perto do lugarejo de Linum, 25 quilômetros a noroeste de Berlim. “Hoje, às vezes há mais de 50 mil”, acrescentou.”
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