Estudo avalia sustentabilidade de projetos hidrelétricos para MDL


Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil/CDM Watch

“Além da incerteza que permeia o futuro do Protocolo de Quioto e consequentemente ameaça o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), a ferramenta recebeu outra má notícia na última semana. Segundo uma nova análise, mais de 20% dos créditos de carbono gerados pelo esquema vêm de projetos de grandes hidrelétricas que não cumprem as exigências de redução de impactos ambientais e sociais do mecanismo.

O estudo, realizado pela Universidade da Califórnia de Berkeley, mostra que estes projetos não cumprem os requisitos essenciais de adicionalidade do MDL porque são concebidos independentemente de financiamentos climáticos.

Assim, hidrelétricas que têm grandes impactos ambientais e sociais como o deslocamento de comunidades, a perda de terras agrícolas e o declínio de biodiversidade são incluídas no MDL e recebem créditos de carbono a serem vendidos no mercado internacional. O relatório mostra que esses projetos não estão sendo executados pelo MDL por causa de seu auxílio, e sim por causa de decisões governamentais estratégicas.

“Desenvolvedores de projetos podem escolher valores de entrada estrategicamente a fim de mostrar que seus projetos são menos financeiramente viáveis do que realmente são. As receitas do MDL compõem uma fração muito pequena de grandes projetos de infraestrutura como grandes hidrelétricas para ser capaz de influenciar sua viabilidade”, explicou Barbara Haya, coautora da pesquisa.

E de acordo com o documento, esse tipo de situação ocorre porque há brechas nos testes de adicionalidade da ferramenta, que instituem quais serão os benefícios ambientais e sociais trazidos pelos projetos. Esse problema ocorre, sobretudo, na China e na Índia, que detém mais de 66% da capacidade total de hidrelétricas sob o MDL, ou mais 500 projetos.”
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