Produção de alimentos terá que aumentar 70% para suprir população em 2050


Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais

“Se hoje em dia a produção mundial de alimentos já gera debates acerca de seu rendimento, a situação deve se tornar muito mais crítica em 2050, quando será necessário alimentar uma população de cerca de nove bilhões de pessoas.

Pelo menos é o que indica o novo relatório da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas, publicado nesta segunda-feira. O documento, intitulado State of Land and Water Resources (SOLAW – algo como Estado dos Recursos de Terra e Água), é a principal publicação da FAO sobre a situação dos recursos de terra e água do planeta.

De acordo com a análise, para conseguir abastecer toda a população mundial, que em 2050 deve atingir a marca de nove bilhões de pessoas, a produção de alimentos terá que ser aumentada em 70% em relação aos níveis de 2009. Isso significa um acréscimo de cerca de um bilhão de quilos de arroz, trigo e outros cereais e de 200 milhões de quilos de carne a mais.

O problema é que, segundo o estudo, em decorrência de anos de práticas como o uso de fertilizantes tóxicos e a utilização intensiva do solo, que levaram ao desperdício de água, à erosão do solo e à perda de biodiversidade, cerca de 25% das terras agrícolas de que dispomos hoje estão “altamente degradadas”.

Outros 8% estão “moderadamente degradadas”, 36% foram classificadas como “estáveis” ou “ligeiramente degradadas” e 10% como “em melhoramento”. Para se ter uma ideia da amplitude do uso intensivo da terra, é só observarmos o aumento do uso de terras agrícolas em relação ao crescimento da produtividade: enquanto a quantidade de terras agrícolas cresceu 12% entre 1961 e 2009, a produtividade aumentou 150%.”
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