“Secreto, silencioso, suave e flexível como
um lençol de seda, ele é um animal das trevas e, mesmo no escuro, prefere
viajar e caçar sozinho. Cavernas são suas moradas preferidas
Luis Pellegrini, Revista Oásis / Brasil 247
Leopardos (Panthera pardus) são caçadores
furtivos solitários. Camuflados por sua pelagem ocre cheia de pontos escuros,
eles parecem sombras móveis quando se movem na penumbra da noite, por entre as
árvores e os montes de pedras. Rastejam, quase imperceptíveis, até poucos
metros de suas presas e, quando sentem que a distância é correta, pulam sobre
elas com um único salto mortal. Quando estão sobre a vítima, e se ela for
pequena, suas mandíbulas poderosas rompem a medula espinhal da mesma na região
de trás do pescoço. Se a presa é grande, comprimem a garganta e a traqueia
dela, até sufocá-la.
Ele é um dos menores membros da comunidade
de felinos que os ingleses chamam de big-cats, grandes gatos, da qual também
fazem parte leões, tigres e onças. Os leopardos viviam outrora no leste e no
sul da Ásia e em toda a África. Seu território ia da Sibéria até o Cabo da Boa
Esperança. Hoje, são encontrados principalmente na África, ao sul do Saara, com
pequenas populações também na Indonésia, Paquistão, Índia, Sri Lanka,
Indochina, Malásia, China, Coréia do Norte e leste da Rússia. Todas essas
populações estão em declínio, razão pela qual a espécie está classificada como
“quase ameaçada” pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).
Das suas nove subespécies reconhecidas, cinco estão ameaçadas ou criticamente
ameaçadas de extinção, o que traz a espécie como um todo ao nível das
“vulneráveis” segundo os critérios da IUCN.
“Leopardos desapareceram de quase 40 por
cento de seus territórios históricos na África”, diz o biólogo e especialista
Luke Hunter, presidente da Panthera, organização sediada em Nova York que trabalha
para garantir o futuro de felinos selvagens através da investigação científica
e os esforços de conservação. “O declínio é resultado da constante perda de
áreas do seu habitat, disputado também pelos pastores com seus rebanhos e pelos
caçadores especializados no comércio clandestino de peles de leopardo e outras
partes do corpo desse animal”.
Foto: SHUTTERSTOCK
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