25 Outubro, 2011

A onça-pintada está ameaçada pela exploração dos biomas brasileiros


“A criação de um corredor para as onças-pintadas no semiárido permitiria “o fluxo de informação genética das espécies ao longo do semiárido”, aponta o pesquisador Ronaldo Morato, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Redação, IHU / Envolverde

Estudar as onças-pintadas que habitam o território brasileiro é uma tarefa difícil para os pesquisadores que se dedicam a conhecer mais de perto esses animais e garantir um habitat saudável para a sua reprodução. Além de pesarem de 80 a 130 quilos, elas vivem em locais inóspitos e de difícil acesso. Para realizar uma expedição de 30 dias na mata, por exemplo, são necessários cinco dias para transportar equipamentos e água.

O desenvolvimento urbano e rural de regiões que cercam os biomas brasileiros levou pesquisadores à constatação de que a espécie está “criticamente ameaçada de extinção”. A perda e a fragmentação de seu habitat têm feito as onças da Caatinga atacarem rebanhos caprinos e ovinos. A caça às onças-pintadas na Caatinga ocorre “como uma forma de defesa dos proprietários para evitar prejuízos econômicos”, explica Ronaldo Morato à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. Ele enfatiza que os proprietários rurais são orientados a evitar conflitos com os animais. “A orientação vai desde mudanças na rotina de manejo dos rebanhos até métodos que impeçam as onças de se aproximar”.

A exploração dos biomas brasileiros, especialmente da Caatinga, acontece desordenadamente porque as pessoas pensam que a região é inabitável. “Há uma imensa diversidade de espécies animais e vegetais, muitas das quais ocorrem apenas lá. Não conhecer o que ali existe leva a uma exploração desordenada, principalmente desmatamento para produção de lenha e carvão”, reitera.

Pesquisadores como Morato estão empenhados na criação de um projeto que construirá corredores para proteger as onças-pintadas e a fauna do semiárido. “Como as onças precisam de grandes áreas para sobreviver, acreditamos que, ao criarmos condições para a manutenção de uma população viável, estaremos dando suporte a todas as outras espécies que utilizam o mesmo ambiente”, enfatiza.

Ronaldo Gonçalves Morato é graduado em Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa e cursou mestrado e doutorado na mesma área na Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é analista ambiental e chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.

IHU On-Line – O senhor trabalha com onças há 20 anos. Como percebe a proliferação desses animais pelo Brasil? Que biomas brasileiros elas habitam?

Ronaldo Morato – A onça-pintada ocorre na Amazônia, Pantanal, Caatinga, Cerrado e Mata-Atlântica. Há especulações de que a população de onças tem aumentado. No entanto, não há estudos que indiquem isso. Recentemente, pesquisadores brasileiros classificaram a onça-pintada como criticamente ameaçada de extinção na Caatinga e Mata-Atlântica, vulnerável no Cerrado e ameaçada na Amazônia e Pantanal. As onças do Pantanal têm porte maior, podem atingir até 130 quilos. As da Caatinga são menores. Estimamos que elas não ultrapassem 80 quilos.

IHU On-Line – Quais são as razões da possível extinção e ameaça das onças-pintadas?

Ronaldo Morato - De forma geral, as principais ameaças para a onça-pintada são a perda e fragmentação de habitat e a caça. Perda e fragmentação estão muito relacionadas à expansão das atividades econômicas e de implantação de infraestrutura, enquanto a caça se dá por retaliação aos animais que predam rebanhos domésticos.”
Entrevista Completa, ::Aqui::

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