Ricardo Abramovay, EcoD / Envolverde
O primeiro refere-se ao uso dos recursos materiais necessários à reprodução social. O International Resource Panel, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), publicou, há algumas semanas, o relatório Decoupling Natural Resource Use and Environmental Impacts from Economic Growth (Descasando o uso dos recursos naturais e os impactos ambientais do crescimento econômico). Esse descasamento exprime – juntamente com a promoção do uso sustentável da biodiversidade – a essência da economia verde, ou seja, a urgência de reduzir o consumo dos materiais e da energia que se encontram na base da riqueza social. Os resultados alcançados até aqui são, no mínimo, ambíguos.
Por um lado, cada unidade de riqueza é
oferecida ao mercado sobre a base do uso decrescente de materiais. Apesar desse
avanço, entretanto, a extração de recursos da superfície terrestre cresceu oito
vezes durante o Século 20, atingindo um total de 60 bilhões de toneladas
anuais, considerando-se apenas o peso físico de quatro elementos: minérios,
materiais de construção, combustíveis fósseis e biomassa.
Amplia-se o uso de recursos não bióticos e,
com eles, a poluição e as emissões de gases de efeito estufa. O descasamento
entre a produção de riqueza e sua base material, mesmo em economias avançadas
como o Japão e a Alemanha, foi apenas relativo, pois em termos absolutos a
pressão sobre os recursos aumenta. Mas a informação que mais chama a atenção
refere-se à desigualdade. Um indiano que nascer hoje consumirá ao longo de sua
vida o correspondente a quatro toneladas de materiais anuais. Um canadense vai
consumir 25.”
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