25 Setembro, 2011

Novo mapa revela um dos lugares com a maior biodiversidade na Terra, mas que já está ameaçado pelo petróleo

Jeremy Hance, Mongabay / Carbono Brasil

“Um novo mapa ressalta a importância de conservar o Parque Nacional Yasuní, o ecossistema mais biodiversificado no Hemisfério Ocidental, e talvez até mesmo na Terra. Cientistas lançaram o mapa para coincidir com a Assembleia Geral das Nações Unidas, em apoio a uma iniciativa pioneira para salvar o parque da exploração de petróleo, através de doações internacionais para compensar a perda da receita. Conhecido como Iniciativa Yasuní-ITT, o plano pretende proteger uma área de 200 mil hectares no Parque Nacional Yasuní da perfuração de petróleo em troca de um fundo de mais de US$ 3 bilhões.

“O mapa indica que o Parque Nacional Yasuní é parte de uma zona pequena e única com a maior diversidade biológica do Hemisfério Ocidental”, explicou Clinton Jenkins, principal planejador do mapa e pesquisador da Universidade Estadual da Carolina do Norte, em um comunicado à imprensa.

O mapa mostra que o leste do Equador (a localização do Yasuní) e o nordeste do Peru têm o maior número de espécies no hemisfério, baseado em dados de pássaros, mamíferos, anfíbios e plantas. Para exemplificar, os pesquisadores descobriram mais espécies de árvores (655 para ser exato) em um único hectare em Yasuní do que em todo os Estados Unidos e o Canadá juntos. O Yasuní também contém a maior biodiversidade de repteis e anfíbios no mundo, com 271 espécies. Mas os insetos ainda ganham: de acordo com o entomologista Terry Erwin, um único hectare de floresta tropical no Yasuní pode conter até 100 mil espécies de insetos únicas. Essa estimativa, se for comprovada, é a maior por unidade de área no mundo para qualquer taxa de plantas ou animais.

“O Yasuní é um tesouro internacional – talvez o lugar mais rico biologicamente na Terra. Sua perda seria uma tragédia para o Equador e, de fato, para povos no mundo todo que celebram a diversidade da vida”, disse Hugo Mogollon, diretor executivo da Finding Species, uma ONG que trabalha no Equador. “A Iniciativa Yasuní-ITT é pioneira. É um esforço sério para manter a floresta megadiversa intacta, que vem direto do escritório do presidente do Equador na região e o mundo deveria realmente querer apoiar isso”.

No plano, lançado em 2007, o governo equatoriano prometeu deixar reservas de petróleo de cerca de 846 milhões de barris de petróleo inexploradas no bloco ITT do Parque Nacional Yasuní se doadores internacionais estiverem dispostos a contribuir com US$ 3,6 bilhões, ou cerca de metade do valor de mercado do petróleo da área. O fundo Yasuní forneceria dinheiro para projetos de energia renovável, programas sociais, iniciativas de pesquisa, conservação e projetos de reflorestamento. No entanto, apesar do apoio de muitos cientistas e organizações de conservação, a iniciativa está tendo dificuldade em angariar fundos, uma situação que não foi ajudada pelo fato de que o fundo foi lançado um ano antes da recessão global.

A iniciativa levou um duro golpe no início deste ano quando a Alemanha desistiu de apoiar o programa. Uma declaração do ministro da federação alemã Dirk Niebel afirmou que a iniciativa era “interessante e inovadora”, mas que havia muitas questões sem resposta em relação ao programa.”
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