23 Agosto, 2011

A economia invisível da Amazônia

Maurício Adu Schwade, da Casa da Cultura do Urubuí / Envolverde

“Há milênios centenas de povos habitam a Amazônia. Durante a história (uns diriam pré-história) os indígenas estabeleceram sistemas econômicos baseados no manejo dos ecossistemas naturais e em cultivos capazes não apenas de coexistirem com ecossistemas naturais, como também de enriquecê-los. Aliado a isto, desenvolveram redes de intercâmbios de produtos bastante sofisticados, como o Manako praticado por diversos povos dos Rios Purus e Juruá. Estes sistemas econômicos foram capazes de gerar grande abundância de produtos. Fr. Carvajal, cronista da expedição de Orellana, ao chegar numa aldeia no ano de 1540 escreve: “grande quantidade de carne, peixes e biscoitos, tudo com tanta abundância que era suficiente para alimentar uma força expedicionária de mil homens durante um ano inteiro” (CARVAJAL. Descubrimiento del Rio de las Amazonas).

Essa diversidade foi possível graças ao desenvolvimento de tecnologias de manejo e cultivo. Centenas, talvez milhares de espécies vegetais foram domesticadas, entre elas a macaxeira, o milho, o tomate, a batata, a pupunha e tantas outras. Também se criou tecnologia de utilização de diversos outros produtos como o açaí, a bacaba, o buriti e a copaíba.

Com o processo da conquista europeia, esta fartura parece ter deixado de existir gradativamente. Período após período, menos registros se fez sobre tal produção. Os registros da economia da Amazônia foram então se estabelecendo com base nos valores das exportações de produtos que tinham um “bum” e depois decaiam. Pouco se sabe sobre como as populações locais sobreviviam quando não estavam sendo exploradas por sistemas de produção para exportação dos produtos.”
Artigo Completo, ::Aqui::

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