29 Maio, 2011

Mata Atlântica perdeu mais de 300 km2 em dois anos

Informações do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica indicam que Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Paraná foram os estados que mais desmataram; ambientalistas acreditam que novo código pode piorar situação

Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil

Em um ano particularmente simbólico para a Mata Atlântica, no qual se celebra o Ano Internacional das Florestas, os 20 anos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e os 40 anos do programa Homem e Biosfera (MAB) da Unesco, os defensores da floresta não terão muito o que comemorar.

Nesta quinta-feira (26), na véspera do Dia da Mata Atlântica, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a ONG SOS Mata Atlântica divulgaram o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que analisou entre 2008 e 2010 a situação da vegetação original restante nos 16 estados que fazem parte do ecossistema.
Foram avaliados 1.288.989 km2, da área total de 1.315.460 km2, o que corresponde a 98%. O resultado apresentado pelo atlas é preocupante. De acordo com o documento, da área original da Mata Atlântica, restam apenas 7,9%, e durante o período considerado, foram desmatados 311,95 km2 ou 31.195 hectares, o que equivale a aproximadamente 30 mil campos de futebol.

Os dados do atlas mostram que o estado onde houve mais desmatamento da Mata Atlântica foi Minas Gerais, com perda de 12.467 hectares, seguido da Bahia, com 7.725 hectares, Santa Catarina, com 3.701, e Paraná, com 3.248. Na classificação por cidade, das vinte que mais desmataram, oito são mineiras, oito são baianas, três são paranaenses e uma catarinense.

Em comparação com o período analisado anteriormente, entre 2005 e 2008, houve uma redução nos níveis de desmatamento de cerca de 55%, mas para Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, é preciso continuar combatendo o desmatamento para que o bioma seja conservado.

“Quase acabamos com a Mata Atlântica, o que ainda existe precisa ser preservado a qualquer custo. É preciso ficar alerta, porque, apesar da queda, as ameaças ainda são grandes. Ainda observamos desmates para reflorestamento [com espécies não nativas], para pastagens e para transformação em carvão”, lamentou Hirota.”
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