Israel Araújo, Diário do Nordeste / Envolverde
“A busca ansiosa por um emprego público, por meio de concursos, retrata um aspecto importante do mercado de trabalho. Cada vez mais pessoas procuram oportunidades que lhes tragam segurança, estabilidade, permitindo-lhes uma perspectiva de longo prazo. É uma atitude praticamente natural, porém um pouco preocupante.
A disputa pelas melhores vagas de emprego na iniciativa privada deixa muita gente boa de fora, é verdade, e a cobrança por desempenho ao longo do tempo provoca tensão e estresse, também é verdade. Mas a febre do concurso público pode conter uma característica importante: pouco espírito empreendedor, aversão a riscos.
O brasileiro empreendedor prova, no mercado, a duras penas, que não desiste nunca. A luta pela ascensão gera, muitas vezes, um ambiente inóspito. Chega a ser uma arena, à qual adentram os mais corajosos, e não é muito delicada com os inexperientes, os novatos. O mundo dos bons negócios do presente é território de peixe grande, próprio para quem tem bala na agulha. Para empreendedores pequenos faltam estímulo e financiamento adequado, além de informações e outros fatores. Aqueles que carregam fantasias demais e lastro de menos na bagagem se deixam assustar pelas chances de dar errado. Uns poucos remam contra a maré de incertezas, deixando-se levar pela chance de dar certo.
No início de um novo negócio, há pouca margem de manobra. Neste momento, os erros custam muito caro. Leis complexas, duras, o custo da folha de pagamento, falta de financiamento e a carga tributária são reflexos da falta de políticas públicas estimulantes. O pequeno empreendedor, num mar de adversidades, pode ser engolido pelos tubarões ou devolvido à praia por uma onda mais forte.”
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