Milagros Salazar, IPS / Envolverde“O Peru tem 53% de seu território coberto por florestas naturais, localizadas em sua quase totalidade na Amazônia, mas os órgãos encarregados da proteção e do controle dessa imensa extensão estão desarmados. Não contam com recursos nem pessoal suficiente, segundo um informe da Defensoria do Povo. Dos 68 milhões de hectares de florestas amazônicas peruanas, anualmente se perde 150 mil, por um desmatamento que representa mais de 42% do total das emissões do país de gases-estufa, causadores do aquecimento global.
Entretanto, as redes e os postos de controle que devem supervisionar a região amazônica não contam com mais de três pessoas, em média, para esse trabalho. Assim acontece na Sede Mazuco da Administração Técnica Tambopata-Manu, na região de Madre de Dios, por onde mensalmente transitam entre 200 e 350 caminhões carregados de madeira. Três funcionários devem fiscalizar se a origem da carga é legal.
A Sede de Padre Abad, em Ucayali, tem o recorde de frequência de passagem de caminhões com madeira, de entre mil e sete mil por mês, e apenas sete funcionários. Algo semelhante ocorre no Posto de Controle de Pucallpa, na mesma região, por onde passam mensalmente entre 450 e 2.400 caminhões transportando madeira, e que tem seis funcionários, segundo o informe da Defensoria intitulado “A política florestal e a Amazônia Peruana: avanços e obstáculos no caminho para a sustentabilidade”.
O documento, com mais de 300 páginas, foi lançado no dia 21 e informa que no último ano aumentaram em 10% as ameaças de morte, agressões e intimidações contra o pessoal desses órgãos fiscalizadores. A Direção Geral Florestal e de Fauna Silvestre, do Ministério da Agricultura, nem sempre apoia as denúncias, afirma.
Os escritórios, vinculados a esse Ministério e aos organismos regionais encarregados do controle florestal, também sofrem carências operacionais. De 38 escritórios supervisionados, apenas três têm veículos em bom estado e só um tem barco, quando o transporte fluvial é essencial na Amazônia. “Nos últimos anos, tem havido uma vontade do Estado em melhorar as normas e a política florestal, mas os problemas continuam sendo a gestão e as poucas facilidades que têm os órgãos envolvidos no tema no terreno”, disse à IPS Ivan Lanegra, adjunto de Meio Ambiente, Serviços Públicos e Povos Indígenas da Defensoria.
Nessas sedes asseguram que grande número de documentos apresentados está falsificado ou adulterado. Também há registro da venda de Guias de Transporte Florestal nos escritórios de regionais encarregadas de legalizar os volumes de madeira mobilizados. As autorizações florestais exigem um plano operacional de manejo, sustentado em um censo ou inventário feito no ponto original da madeira e realizado pelos escritórios supervisores. Muitas vezes estas verificações prévias não acontecem e a informação apresentada nos censos é falsa, segundo o informe.”
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