Delegados se reúnem no primeiro dia da 10 ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10), em Nagoya – Japão
Amália Safatle, Terra Magazine
“Começou ontem em Nagoya, no Japão, a décima edição da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (COP 10 da CDB). Em geral, ao que se assiste nessas negociações internacionais é a divisão política entre os países em desenvolvimento, mas megadiversos - liderados pelo Brasil - e os países desenvolvidos, mas pobres em diversidade.
Assim, as disputas se dão basicamente entre os eixos Norte e Sul do globo, sobre financiamento de recursos para conservação, transferência de tecnologia, e acordos a respeito do acesso aos recursos genéticos da biodiversidade e as formas justas de repartir com os detentores do conhecimento tradicional os benefícios oriundos da exploração desses recursos - um mecanismo conhecido como Access and Benefit Sharing (ABS), ou Acesso e Repartição de Benefícios.
O que esta COP pode trazer de diferente? O entendimento de que a questão da biodiversidade não deve se resumir a uma disputa geopolítica entre dois eixos, e sim assumir contornos globais. A própria Convenção, no seu segundo artigo, define a biodiversidade como a "variabilidade entre organismos vivos de todas as origens compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas". Mas como bem ressalva o site Biotrix (http://biotrix.com.br/convencao.html#texto03) "não se trata apenas de um conjunto de genes, de espécies e de ecossistemas. Além da composição, biodiversidade é estrutura e função!"
O que isso significa? Que a biodiversidade, embora lotada nos países em desenvolvimento, é fundamental para o funcionamento dos sistemas vitais em todo o globo, a exemplo do equilíbrio climático. É uma perspectiva que soa como óbvia, mas que pouco guiou as negociações até o momento, e deveria mudar o patamar de disputa para o de cooperação entre ricos, pobres e emergentes.”
Foto: KYODO, Reuters
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