Matthew Berger, IPS / Envolverde“Antes da cúpula sobre o aquecimento global realizada no ano passado em Copenhague, as expectativas eram exageradas, e isso levou ao menosprezo de seus êxitos, disse o representante especial do México para a Mudança Climática, Luis Alfonso de Alba. E precisamente o México será sede da 16ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 16), que acontecerá de 29 de novembro a 10 de dezembro, no balneário de Cancún.
Luis Alfonso tenta garantir que a cúpula evite essas armadilhas das expectativas e se centre em objetivos específicos, que possam ser cumpridos e assentar as bases para um tratado vinculante mais ambicioso. “Antes de Copenhague, a maioria dos negociadores era consciente de que estávamos longe do que ainda era considerado o objetivo: um resultado legalmente vinculante. De todo modo, fomos a Copenhague com a expectativa de conseguir esse tratado único”, disse Luis Alfonso aos jornalistas na semana passada.
Desde o começo, o processo de Cancún foi diferente, afirmou. “Estamos vendo maior pragmatismo dentro das negociações e um reconhecimento de que não teremos um resultado vinculante este ano” disse Elliot Diringer, vice-presidente de Estratégias Internacionais no Pew Center on Global Climate Change, onde foi realizada a coletiva de Luis Alfonso.
Espera-se que este processo deliberativo pragmático leve a decisões que possam assentar a infraestrutura institucional para esse futuro tratado climático mundial. “Esperar até depois da África do Sul (onde, em 2011, acontecerá a COP 17) não significa que não haverá ação”, ressaltou Luis Alfonso, acrescentando que em Cancún poderão ser adotadas várias decisões concretas, por mais que não exista um tratado vinculante.
Enquanto lidera os preparativos para a cúpula no México, Luis Alfonso enfatiza as finanças e a transparência. Dentro desse enfoque, considera que a reunião de Cancún será um sucesso se conseguir um acordo confirmando os compromissos assumidos em Copenhague e permitindo aos negociadores retornarem aos seus países com pautas de ação específicas, que possam ser concretizadas imediatamente. Também destacou que a abordagem da mudança climática exige um calendário.”
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