18 Agosto, 2010

Energias do amanhã

"O Brasil ocupa posição de destaque no cenário energético do mundo, mas pode estar investindo olhando a realidade pelo retrovisor. Carta Capital e Envolverde convidaram executivos e especialistas para lançar o debate à frente.

Manuel Lume, Envolverde

A energia que vai mover a economia do futuro e proporcionar conforto e qualidade de vida à sociedade não pode vir das fontes tradicionais que movem o mundo desde o século XIX. Novas fontes já estão disponíveis. No entanto, somente uma parcela pequena da população do planeta tem acesso à energia que vem do sol, do vento, do mar, do vulcões, de restos vegetais e até do lixo. Há quem inclua o etanol da cana-de-açúcar e de outros vegetais (celulósicos) na lista, mas essa não é uma opinião unânime. O que é consenso é que, à exceção do etanol, a exploração em grande escala dessas inesgotáveis fontes de energia precisa se tornar políticas prioritárias de governos e empresas privadas. Essa, no entanto, é uma luta que ambientalistas ainda não venceram.

O Brasil assumiu diante da comunidade internacional compromissos bastante avançados em relação às mudanças climáticas. Levou à COP 15, em Copenhague, no fim de 2009, a meta de reduzir emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9% até 2020. Para isso, deverá atuar principalmente em duas frentes: redução do desmatamento de biomas, como a Amazônia e o Cerrado, e ampliar o uso de energias renováveis na geração de eletricidade e no transporte.

No centro da questão energética está a exploração do pré-sal, que coloca o País entre os maiores produtores de petróleo do mundo e pode mudar o eixo dos investimentos no setor nos próximos anos. “Os bilhões de dólares que serão investidos para trazer o petróleo do pré-sal à superfície tornariam viáveis muitas outras tecnologias energéticas, como o desenvolvimento de baterias para carros ou de painéis solares de custo compatível para implantação em milhões de residências em todo o Brasil”, diz o cientista Antônio Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O custo da extração e produção do petróleo do pré-sal está estimado em US$ 880 bilhões, segundo estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e divulgado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nobre defende a aplicação desse dinheiro em pesquisas focadas em outras tecnologias, que garantiriam não apenas eficiência na produção, mas a otimização no uso de energia. “Carros com motor a álcool ou gasolina tem muito pouca eficiência energética”, explica. Entre 60% e 80% da energia contida nestes combustíveis serve apenas para gerar calor que é dissipado nos radiadores.

A principal preocupação em relação aos investimentos no pré-sal é em relação à continuidade do desenvolvimento de energias de baixo carbono. Outro participante do debate “O Brasil e as Energias do amanhã”, promovido pela revista Carta Capital e pela Envolverde, Ricardo Young, ex-presidente do Instituto Ethos, e atual candidato ao Senado pelo PV paulista, aponta que um horizonte incerto na gestão de energias renováveis. “O País estava na dianteira nessa questão. Desenvolvemos os biocombustíveis, o etanol, a energia solar mas, com a descoberta de petróleo no pré-sal, o debate mudou de eixo. Agora, o foco é a partilha do dinheiro do pré-sal e os impactos que esta nova realidade terá sobre a economia.”

Foi justamente este cenário de opções em aberto, onde o etanol avança em direção a tornar-se uma commoditie global e o Brasil desponta como um dos maiores produtores de petróleo do mundo que levou a revista Carta Capital e a Envolverde a construir mais uma edição da série Diálogos Capitais, desta vez focado na questão “Energias do amanhã”. Foram reunidos executivos de empresas, pesquisadores e especialistas para ajudar a compreender os desafios de suprir o Brasil com a energia necessária para manter a trajetória de crescimento econômico e, ao mesmo tempo, cumprir os compromissos internacionais assumidos em relação à redução das emissões de gases estufa. Estiveram presentes no auditório da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, no último dia 6 de agi, o coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace, Ricardo Baitelo, a chefe do Departamento de Energia do BNDES, Márcia Leal, o presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Única), Marcos Jank, o gerente geral de Energias Renováveis da Petrobras, Renato de Andrade Costa, o pesquisador Antonio Nobre, do Instituto nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Ricardo Young, ex-presidente do Instituto Ethos, e o professor Ladislau Dowbor, da PUC-SP, que conversaram com um público de quase 300 pessoas.”
Matéria Completa, ::Aqui::

1 comentários:

Matheus disse...

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