04 Junho, 2010

Sociedade civil dividida para a COP16

Emilio Godoy, IPS / Envolverde

“Faltando menos de seis meses para que o México receba uma nova cúpula mundial sobre o clima, as organizações anfitriãs do fórum paralelo estão divididas sobre como realizá-lo. As divergências se concentram no tipo de espaço que deve receber as organizações não governamentais no balneário de Cancún, onde acontecerá a 16ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-16), entre 29 de novembro e 10 e dezembro.

As ONGs que organizaram o Klimaforum 2009 – encontro paralelo à COP-15, que aconteceu em dezembro de 2009, em Copenhague – e um setor de grupos ecologistas locais querem repetir a fórmula, enquanto setores importantes de outros movimentos e ativistas preferem um esquema mais de acordo com a realidade mexicana e latino-americana.

As desavenças “surgem principalmente por equilíbrios de poder”, disse à IPS Miguel Valencia, um dos dez integrantes do Comitê Organizador Mexicano do Klimaforum 2010. “As grandes ONGs internacionais, como Greenpeace e Oxfam, estão acomodadas, tolerando muitas coisas dos governos. Aceitam programas e temas que estão em negociação na cúpula e que são intoleráveis para os movimentos sociais”, acrescentou.

Logo depois da fracassada cúpula de Copenhague, 30 organizações dinamarquesas entregaram a representantes de organizações mexicanas a carta do Klimaforum, também conhecido como Cúpula dos Povos. Daquela edição participaram cerca de 50 mil ativistas e foram realizados mais de 300 atos. O comitê organizador do próximo fórum foi instalado em fevereiro e as reuniões com outras ONGs mexicanas, para estabelecer em conjunto o espaço da sociedade civil na COP-16, começaram imediatamente.

A primeira trombada foi durante a Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática, realizada na cidade boliviana de Cochabamba, entre 20 e 22 de abril. Nesse cenário, um grupo de ONGs latino-americanas divulgou uma mensagem afirmando que, “embora respeitemos a experiência do Klimaforum, este respondeu ao contexto europeu e dinamarquês, especificamente. Tentar importá-lo para nossa região é desconhecer a realidade de nossas lutas, bem como a identidade e a história das mobilizações no continente”, argumentaram as organizações contrárias a imitar o fórum de Copenhague.

A cisão das ONGs mexicanas se consumiu em uma reunião no dia 12 de maio, na Cidade do México, quando surgiram intransponíveis diferenças sobre como melhor representar os interesses da sociedade na cúpula de Cancún. De um lado ficaram o comitê organizador do Klimaforum 2010 e meia centena de ONGs mexicanas, de outro as filiais astecas de grandes organizações mundiais (como Amigos da Terra, Greenpeace e Oxfam) e expoentes do ambientalismo local, como o Centro Mexicano de Direito Ambiental.”
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