“Paraíso dos safáris, país sofre perdas com o turismo após a morte de centenas de animais e tenta repovoar reservasFernanda Fava, O Estado de S. Paulo
A seca voltou a castigar a África, mas desta vez a preocupação dos governos não é apenas com a sobrevivência da população. No Quênia, centenas de leões, elefantes, zebras, girafas e búfalos estão morrendo. E isso atinge em cheio o movimento de turistas, que vão ao país justamente para ver de perto os animais selvagens. Com uma das principais fontes de renda reduzida, a economia local foi atingida, prejudicando ainda mais a população já afetada pela estiagem.
Embora não haja um censo sobre os efeitos da seca no Quênia, é possível ter uma noção da extensão do problema. No Parque Nacional de Tsavo West, por exemplo, no sul do país, foram registradas 352 mortes de animais: 104 búfalos, 61 zebras, 49 gnus, 47 hipopótamos, 36 elefantes, 26 impalas e 13 bubalús, uma espécie de antílope africano.
De acordo com John Kariuki, funcionário do parque, esse número está claramente subestimado, porque a equipe não tem capacidade de mapear os quase 10 mil quilômetros quadrados de área preservada. “Tivemos muitos outros casos que não foram reportados”, explica. “Alguns rios da região chegaram a secar totalmente.”
O Kenya Wildlife Service (KWS), órgão do governo que administra os principais parques naturais, diz que em um ano o país perdeu 2% da sua população de 2 mil zebras-de-grévy, uma das três espécies existentes no mundo. Ainda segundo o KWS, 120 elefantes e centenas de outros animais foram mortos em decorrência da estiagem.”
Foto: Vasanthi Haraprakash
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